Entrevista com Djihed Afifi, da equipe árabe de tradução do GNOME
É com prazer que apresento minha entrevista com Djihed Afifi, mantenedor da localização do GNOME para o idioma árabe. Com uma equipe de apenas 5 outras pessoas, esse estudante algeriano de 22 anos (morando em Manchester) trouxe o GNOME de sem suporte ao árabe para completamente traduzido em questão de seis meses (um ciclo de lançamento).
Quando e como você se envolveu com localização de software livre?
Eu lembro do meu primeiro contato com o mundo do software livre ter sido através de 3 CDs do Mandrake 7 ou 6 (não lembro), que comprei em 2000. Na época fiquei muito confuso, já que não sabia muito inglês.
Avançando para meu primeiro ano na universidade, eu tive que fazer uma monografia sobre o movimento do software livre, como ele surgiu no final dos anos 70 e no início dos anos 80, como se desenvolveu ao longo dos anos, como o termo “código aberto” foi criado etc. Fiquei muito impressionado com toda a experiência, e me identifiquei com muitos dos ideais do mundo do software livre. Na época tentei ajudar na tradução do Red Hat para o árabe com o Arabeyes, mas eu não era muito ativo.
Dois anos mais tarde, arranjei um emprego de verão numa companhia de chips conhecida. Um de meus colegas defendia o código aberto e seus modelos de negócio (ele também era um programador brilhante!), e tive com ele algumas conversas sobre a viabilidade do OSS, além de ler alguns de seus livros (como “Voices from the open source revolution”). Ele me encorajou na época a abrir o código de algumas ferramentas que eu tinha escrito para eles; essencialmente, esse foi o começo do meu envolvimento.
Depois decidi participar na tradução para o árabe. Comecei com o GNOME, por ser meu ambiente favorito e porque eu estava convencido de que sua simplicidade seria ideal para os iniciantes no Linux. Poucos meses depois, formamos uma equipe de tradução bem ativa, que conseguiu melhorar substancialmente a tradução do GNOME para o árabe.
Além de coordenar a equipe de localização do GNOME para o árabe, você colabora com localização e desenvolvimento de software livre de outra forma?
Estou trabalhando bastante no Dicionário Técnico; além disso, desenvolvi e ainda mantenho uma extensão de TCL e o Minbar, um aplicativo de preces para o Islamismo. Também mantenho o OpenCD Árabe, e sempre que posso divulgo o OSS no mundo árabe.
Quanto tempo você gasta com software livre?
Varia muito, mas é pouco por causa dos meus estudos. No verão e nos feriados eu colaboro bastante.
O que mantém você motivado para colaborar com software livre?
A causa da liberdade e o desejo de promover a informática no mundo árabe. No geral, acho que os valores e resultados do software livre vão ao encontro das necessidades econômicas e sociais que eu gostaria de ver sanadas no mundo árabe.
Do que você mais gosta no fluxo de trabalho da tradução de software livre?
Acho que não tenho uma parte preferida, mas valorizo muito a natureza aberta do processo. Direto do código-fonte para os catálogos de mensagem: não dá para ficar mais aberto que isso. Essa abertura realmente vale a pena ao traduzir mensagens estranhas, testar como a tradução fica, comparar a tradução com as de outro pacote, dar uma olhada na tradução para outros idiomas etc.
O que você acha que deveria melhorar?
Comunicação e prioridades.
Quanto à comunicação, muitas equipes trabalham praticamente no vácuo, com pouca comunicação entre tradutores, documentadores e desenvolvedores, assim como entre equipes de diferentes projetos. Em particular, acredito que tradutores são pouco reconhecidos, talvez porque nós não estamos organizados nem partilhamos nossas experiências e necessidades como deveríamos. Eu definitivamente gostaria de ver isso mudar.
Quanto às prioridades, essa é difícil, as pessoas em geral preferem trabalhar naquilo de que gostam, é difícil convencer alguém a trabalhar no que é importante ao invés de, por exemplo, no milionésimo editor de texto. À medida em que mais e mais empresas estão adotando OSS, dá para ver que essa realidade está sendo alterada.
No próximo bloco, Djihed Afifi vai falar mais sobre o projeto Arabeyes e as peculiaridades de traduzir para o árabe.
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6 de maio de 2007 às 14:02
E ai leonardof,
Ótima entrevista camarada, agora fiquei curioso, posta logo essa continuação!!! (rs) Esse projeto Arabeyes parece ser muito interessante e deve agregar muito aprendizado entre as equipes nacionais. Parabéns pelo texto/trabalho/esforço, ficou ótimo!!
[]’s … t+,
raulpereira.
6 de maio de 2007 às 20:06
Beleza Leonardo.
Achei legal essa iniciativa de mostrar as experiências de grupos de localização de outros países.
Parabéns, e vê se não demora muito para publicar a continuação, eu também estou curioso.
Abraço.
7 de maio de 2007 às 08:42
Muito bom!!
Um exemplo para todos nós…
[]´s
12 de maio de 2007 às 21:31
[...] Entrevista com Djihed Afifi, da equipe árabe de tradução do GNOME [...]
12 de agosto de 2007 às 23:40
[...] estava lembrando a entrevista com o Djihed Afifi, e comecei a pensar na facilidade de todos os tradutores usarem um único repositório (CVS ou SVN [...]
12 de agosto de 2007 às 23:40
[...] enquanto alguns para-quedistas pesquisaram por fontes livres, outros chegaram aqui atrás de tradutores para o árabe. Por incrivel que pareça, um quinto dos meus visitantes usa o Internet [...]