Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa
[Esse artigo trata dos rumos do Acordo Ortográfico desde sua concepção até 2007. Para uma atualização sobre seus avanços, confira meus artigos da categoria de Língua Portuguesa.]
Desde criança ouço falar que a ortografia do idioma português seria alterada em breve, devido a um acordo entre Brasil, Portugal e outros países lusófonos. Esse ano todos voltaram a dizer que o acordo ortográfico entraria em vigor em breve, então resolvi conferir exatamente em que pé está a situação do “português internacional”. De acordo com Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o acordo já está em vigor! Na prática, contudo, ainda existem obstáculos à sua implementação, tanto que continuo a escrever como tinha aprendido.
O Acordo foi assinado em 1990 por todos os países da CPLP, mas só entraria em vigor após todos os países depositarem seus “instrumentos de ratificação”. Parece que a da CPLP foi otimista, pois o documento previa que o Vocabulário Ortográfico comum fosse elaborado até o final de 1992, e que todos os Estados lusófonos tivessem ratificado o acordo até o final de 1993.
Com o Segundo Protocolo Modificativo, passou a bastar a ratificação por três países (e não todos) para que o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa entre em vigor. Além disso, Timor Leste passou a integrar o Acordo. Brasil (2004) e Cabo Verde (2006) já tinham depositado seus documentos ratificando tanto o Acordo Original quanto o 2º Protocolo, e em dezembro de 2006 os documentos de São Tomé e Príncipe foram depositados. Assim, o Acordo já está em vigor desde o dia 1º de janeiro de 2007, mas apenas no Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. Para que o acordo valha em outro país lusófono (por exemplo, Portugal), é necessário que esse país ratifique tanto o Acordo quanto o 2º Protocolo Modificativo; ou então, que todos os países ratifiquem ao Acordo Original. (O 2º Protocolo Modificativo não altera as regras ortográficas, só as condições para que as mesmas sejam adotadas.)
Em dezembro de 2006, faltaria apenas uma decisão política para que Portugal ratifique o acordo, mas uma “fonte no governo brasileiro” teria tido que a questão seria também econômica. Já passamos da metade de 2007, e Portugal ainda não ratificou o Acordo Ortográfico. O Brasil, por sua vez, ratificou o acordo “para inglês ver”, já que suas publicações ainda não o adotaram. Em maio de 2007, os livros didáticos eram considerados o nó crítico pelo Ministério da Educação. Como os livros são editados com um ano de antecedência, na melhor das hipóteses a nova ortografia chegaria às escolas em 2008. Em julho de 2007, foi dito também faltar uma “decisão política” para que Brasil aplique o acordo, e a partir daí a transição seria gradual. Ficou no ar a dúvida quanto ao Brasil estar ou não determinado a mudar a ortografia mesmo que Portugal não ratifique o acordo.
Resumindo, continuo na expectativa de quando usaremos a ortografia do Acordo. Como tradutor de software livre, imagino que continuarão a existir as equipes de português do Brasil e de “português europeu”, já que as diferenças são mais de vocabulário que de ortografia. Por outro lado, a vigência do acordo nos obrigará a repensar a manutenção dos “dicionários” (léxicos) livres da língua portuguesa. Atualmente existem o Verificador Ortográfico do BrOffice.org, desenvolvido no Brasil e adaptado ao português de Portugal; e também o dicionário do Projeto Natura, de português europeu mas sendo adaptado pelo br.mozdev.org para o português brasileiro. Espero que o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa sirva para que possamos, enfim, unir nossos esforços em um único projeto de verificação ortográfica!
Espero também que a Academia Brasileira de Letras (ABL) aproveite a oportunidade para colaborar com a comunidade brasileira e internacional de software livre. Seu Vocabulário Ortográfico seria ótimo como parâmetro ou mesmo conteúdo dos verificadores ortográficos livres, mas não conseguimos aproveitá-lo devido a questões legais (direitos autorais) e técnicas. Eu e outras pessoas já tentamos entrar em contato com a ABL, e nunca recebemos retorno. Quem sabe, com a futura revisão do Vocabulário Ortográfico, o software livre não passe a contar com apoio oficial para a divulgação da língua portuguesa?
Atualização: Graças a um texto que Vladimir Melo me enviou, fiquei sabendo que a duplicidade da ortografia na língua portuguesa existe hoje em dia porque o Brasil retrocedeu ao Acordo Ortográfico de 1943, após ter assinado com Portugal o Acordo de 1945. A Wikipédia traz mais informações sobre os antecedentes do Acordo Ortográfico de 1990. Em 1910 Portugal reformou a ortografia, sem acordo com o Brasil; de tempos em tempos foram realizados acordos que aproximavam a ortografia sem unificá-la. Em 1945 foi firmado o primeiro Acordo Ortográfico com vistas à unificação da ortografia, mas o Congresso brasileiro não o ratificou. Em 1986 foi proposto um novo Acordo, cujas mudanças desagradaram a todos os países, e em 1990 foi realizado outro Acordo, que … bem, vamos ver no que dá!
Atualização 2: Como ficou claro pelos comentários abaixo, o Acordo Ortográfico não é exatamente popular em Portugal. Mais artigos a esse respeito: por Rui Vilela, português, e por Vladimir Melo (aqui também), brasileiro. RedTuxer publicou ainda uma entrevista com André Noel, coordenador da equipe brasileira de tradução do Ubuntu, e António Dias, coordenador da equipe portuguesa de tradução do projeto Mozilla.
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10 de agosto de 2007 às 22:36
Com certeza seria interessante a integração de vários projetos da língua portuguesa, com certeza a tradução poderia se valer dos esforços dessa proposta. Na verdade, como você disse, a proposta é antiga, vamos esperar que isso ocorra da melhor maneira e que exista um interesse real em levar a idéia adiante. Precisaremos também a boa vontade dos vários mantenedores de dicionários nesse processo se, de fato, puderem estabelecer um diálogo sem vaidades. A idéia é sempre, na medida do possível, somar forças, até mesmo porque o dinamismo da língua exige agilidade na atualização. Ficarei na expectativa de que a ABL seja participativa no processo de colocar em prática suas ferramentas e levar o conhecimento ao alcance de todos.
11 de agosto de 2007 às 12:42
Fala leonardof, blz?
Já tentei entrar em contato com a ABL, mas o retorno foi muito demorado, 1 mês depois de ter enviado a mensagem recebi um retorno que a mensagem iria ser encaminhada a um responsável léxico, passado algumas semanas depois o responsável responde-me de forma breve e não muito elucidativa, tentei estreitar a comunicação convidando a participar das discussões do LDP-BR e até o momento não recebi nenhum e-mail do rapaz, insisti mais uma vez e até o momento nada. Resumindo, muita burocracia não anda de mãos dadas com o processo de desenvolvimento colaborativo que código aberto necessita.
Falando do acordo, padronizar a ortografia seria bacana para ferramentas automáticas de verificação, sem dúvida alguma, fora que poderia ser gerido um trabalho de cooperação entre os times que já trabalham com isso nos países envolvidos, como citado por você e Vladimir. Agora, resta saber (a) se as esferas políticas de cada país desejam isso e se (b) a gestão de cada projeto, por exemplo ABL, deseja trabalhar dessa maneira, cedendo um pouco do lugar ao sol com outros projetos (?!).
[]’s rapa … vlw,
raulpereira.
11 de agosto de 2007 às 13:03
Raul, você deve ser a única pessoa a ter conseguido algum retorno! Levando em consideração a afinidade de ideais da ABL e da comunidade brasileira de software livre, acredito que nada seria mais natural que uma colaboração entre as partes. Será que algum dos imortais conhece o movimento do software livre?
11 de agosto de 2007 às 13:46
Leonardof, foi sobre o assunto “endentar x indentar x identar x edentar x etc”, que virou uma longa thread na lista de discussão, com certeza deve recordar, na época utilizei o formulário de contato do site da ABL, passando por todo processo citado no último comentário, até que tentei estreitar o relacionamento deles com o LDP-BR, mas não tive sucesso. Talvez se mais responsáveis/administradores do LDP-BR formalizassem uma espécie de “tratado” que iria definir essa comunicação entre os projetos, teríamos mais progresso. E novamente, ainda acredito que o projeto TextoLivre.org pode nós ajudar bastante em diversas esferas, inclusive nessa tarefa de abrir um melhor canal de comunicação entre projetos nacionais sobre nosso idioma.
13 de agosto de 2007 às 08:31
Eu nunca ouvi falar de tal coisa como português Internacional (também não vejo os britânicos a falar um mix com a versão americana).
O acordo ortográfico foi feito por políticos, e por um conjunto de pessoas que se dizem “os representantes da língua”. Dificilmente em Portugal, como um todo, se irá ler-se o acordo ou aceitá-lo para mudar o estilo de escrita (inclui as pessoas de letras). Divergindo do que foram educados, ou daquilo que ouvem e usam no dia a dia.
Duvido muito que se muda a língua de qualquer dos lados do Atlântico, apenas para “padronizar”
ferramentas informática. O contrário é que é desejável.
Tenho impressão que os brasileiros precisam de estar em Portugal, para se aperceber até que ponto diverge a escrita :). Para mim é fácil distinguir se um parágrafo em português é Portugal ou do Brasil. Não sei se têm telenovelas portuguesas como as brasileiras que preenchem o horário nobre dos canais portugueses.
Em Portugal passa na televisão um reclama com o Scolari (bola), em que enumera algumas das diferenças entre PT e BR:
“aeromoça” é “hospedeira”, “cadastro” é “atacador”, “trem” é “comboio”, “pingolim” é “matraquilhos” e “açougue” é “talho”…
Ah sim, e acaba com a tradução errada de “banco” com “caixa” (referindo-se à Caixa Geral de Depósitos (Banco))
Em relação ao dic. pt_PT do BROO, digamos que o Natura já fazia isso 12 anos antes de eles começarem tal empreitada. Desde 2002(?) que havia uma versão myspell pt_PT para o OO (Feito pelo André (?) do PTOO). Contudo o BROO não reconhece a nossa “república”. É melhor não enumerar os problemas.
13 de agosto de 2007 às 20:19
Estou muito à vontade com a ortografia atual, mas acho um disparate termos duas ortografias diferentes dentro de um mesmo idioma. Nem mesmo o italiano, com seus dialetos, tem mais de uma ortografia oficial.
A favor da viabilidade do Acordo, entretanto, lembro que o Brasil já teve a ortografia alterada, e não se vêm as pessoas usando a ortografia antiga, mesmo tendo o Brasil um nível de educação muito menor.
É claro para os brasileiros o quanto o falar dos portugueses é diferente do nosso. Mas o Brasil, com seus quase 190 milhões de habitantes e 8,5 milhões de quilômetros quadrados, também tem variações amplas de falar entre as regiões, e nem por isso deixamos de usar o mesmo dicionário.
14 de agosto de 2007 às 09:41
De acordo com o leonardof.
20 de agosto de 2007 às 15:03
[...] será que agora é pra valer? A Folha de São Paulo de hoje, 20 de agosto de 2007, trouxe um assunto recentemente tratado pelo Leonardo Fontenelle e que tem impacto na vida de todos os brasileiros, a reforma ortográfica. Não acredito que haja [...]
20 de agosto de 2007 às 20:14
Obrigado a Adorilson Bezerra de Araújo por me informar o endereço dos artigos da Folha Online mencionados por Vladimir Melo:
20 de agosto de 2007 às 21:25
[...] Folha de São Paulo de hoje, 20 de agosto de 2007, trouxe um assunto recentemente tratado pelo Leonardo Fontenelle e que tem impacto na vida de todos os brasileiros, a reforma ortográfica. Não acredito que haja [...]
21 de agosto de 2007 às 23:20
Este acordo ortográfico não vai ser bom pra ninguém porque não serve propósito nenhum.
A Língua Portuguesa não ficará padronizada e os Países envolvidos vão gastar toneladas de dinheiro (do contribuinte) com a conversão, e instala-se a confusão e a discórdia.
Onde é que está a padronização? Pergunto, porque não consigo vê-la. Concordo que ficará ligeiramente melhor, mas estúpidamente insuficiente, pois, continuam a ter diferenças significativas.
Uma pérola: A palavra “herva” não existe no português, escreve-se “erva”, não como o Folha de S.Paulo mencionou e eu transcrevo em baixo.
“GRAFIA
No português lusitano:
1. desaparecerão o “c” e o “p” de palavras em que essas letras não são pronunciadas, como “acção”, “acto”, “adopção”, “óptimo” -que se tornam “ação”, “ato”, “adoção” e “ótimo”
2. será eliminado o “h” de palavras como “herva” e “húmido”, que serão grafadas como no Brasil -”erva” e “úmido”"
23 de agosto de 2007 às 09:56
Concordo com o último post, a palavra acção, acto, adopção não irão ser transformadas em breve. Em Portugal não se ouve falar de tal coisa.
Imposição política em Portugal vai ser difícil. No Brasil já deve ser difícil dizer às pessoas que agora tem de escrever de forma diferente. Para mim, tal acordo é uma espécie de exploração política, e comercial da língua. Não vai ao encontro das pessoas.
A variante brasileira não é um dialecto, é uma variante. Tal como o Inglês americano para o Inglês europeu. Francês canadiano, para o Francês europeu. Mais ou menos têm o mesmo tempo de vida. No entanto a língua foi ganhando divergência com o passar dos anos (~200 anos). Palavras que se dizem em Portugal ganham vida aqui, mas não no Brasil devido às tendências culturais. Isso está comprovado mediante trabalhos de investigação linguística.
Erva não tem qualquer h. Os portugueses pronunciam na fala os “c” e “p” que esse acordo quer remover.
Na Espanha, por razões históricas, existem 4 línguas distintas e bastante usadas (castelhano, galego, basco, e catalão). Portugal tem duas, o português (que há 800 anos que diverge do antigo Galego, e desde então cada língua seguiu o seu rumo), mas a língua mirandesa é apenas falada em 2 aldeias :). As pessoas de Portugal compreendem o que se fala na Galiza e vice-versa. No entanto a mesma situação não ocorre entre a fronteira oeste do país, em que os “castelhanos” não compreendem a pronuncia portuguesa :).
No folha não referiram a pressão da diferença populacional entre países, para contrapor o “conservadorismo português”. A língua não se define por imposição política do “conveniente”, mas pela vontade das pessoas que escrevem.
23 de agosto de 2007 às 10:03
Cito um comentário:
—
Jordão disse ser, pessoalmente, “cem por cento a favor” do Acordo, que vai facilitar a circulação de livros num mercado ortográfico único com mais de duzentos milhões de pessoas mas destacou que “não é preciso urgência”.
—
Inglês: “database”. Em portugal traduz-se por “base de dados”, no Brasil traduz-se por “banco de dados”. Outro acordo ortográfico ? Com acção ou ação, a diferença não está meramente na ortografia.
23 de agosto de 2007 às 10:24
Rostok e Rui Vilela,
Acho que esta faltando um pouco de entendimento no acordo, é um acordo ortográfico não de semântica/lêxicos, as palavras seja lá como forem escritas, vão continuar tendo a semântica diferente, quer queira ou não, o diferencial é que a ortografia será padronizada. Trema, acento e tantos outros fatores que diferem na escrita devem ser padronizados, agora o significado das palavras não esta inserido no acordo como um fator a ser padronizado, até porque foi devidamente destacado por vocês que é geograficamente/culturalmente inviável. Não precisa ir longe pra dar exemplos, basta ir ao interior do Brasil e conversar com um nativo. Qualquer ato de padronização em algo que pode ser padronizado gera ganhos, podem não ser imediatos e muitas vezes não serem visíveis a curto prazo, mas futuramente o ganho surge em suas diversas esferas, assim eu acredito …
[]’s galera,
raulpereira.
23 de agosto de 2007 às 11:17
Quanto tempo ? 2 anos ? Eu li algo que uns tais “especialistas” do acordo (sabe-se lá quem são) disseram 2 anos. É RIDÍCULO!
Raul, o acordo é bonito no papel, mas a realidade está no final ao cargo dos falantes/escritores (e seus representantes no parlamento), e não das pessoas que fazem traduções de programas ou dicionários de palavras, ou dos políticos que vão de fim-de-semana para a CPLP.
Quando o Euro foi introduzido em Portugal, uns tais “especialistas” também disseram 2 anos para habituação à nova moeda. No entanto, quando o euro foi introduzido, ainda os velhos falavam de reais (1 escudo = 1000 reais antes de 1910 / 1 Euro = 200.482 Escudos de 2002). Houve um “período” de 3 meses de adaptação. Hoje há lojas e preços em euros/escudos. Até pessoas com formação superior têm dificuldades em quantificar a nova moeda, sem pensar na antiga. Na televisão, os apresentadores e os jornalista, usam demasiadas vezes contos. 2 contos = 2000 escudos ~= 10 euros. Diria 2 ou mesmo 3 gerações. E a moeda é um conceito simples de adaptação.
Alterar então uma dúzia de regras ortográficas que influenciam a maneira de falar, e escrever de centenas de palavras, é algo colossal. Já por não falar dos 9% de analfabetos ainda existentes, ~40% de iliteracia entre os 91% que sabem ler escrever mas têm dificuldades de compreensão escrita. Quem vai ensinar esta gente toda ? Não é só os manuais escolares que têm de ser alterados.
A divergência que refiaria-me é à sintaxe da escrita, semanticamente é a mesma coisa. No final de contas vai ser necessário haver 2 documentos da mesma língua na CPLP.
Não vai ser em 2008, duvido que em 2009 :).
23 de agosto de 2007 às 11:34
Rui Vilela,
De fato não será da noite para o dia, como não foi a troca de Cruzeiro/Cruzado/Real, demora, demora anos, talvez décadas de fato. Agora falar de quem manda no que, “os representantes”, cara isso vigora a anos assim, faz ciclos e mais ciclos de vida que “os representantes” ditam o que consumimos, seja no capitalismo, no socialismo, na grécia antiga, etc e vai continuar sendo assim, mas enfim, esse assunto não é o que esta em questão. Novamente, a divergência na qual o acordo deseja padronizar é ortográfica, NÃO semântica, pois a divergência semântica continuará existindo quer queira ou não. Resumindo, vamos aguardar as resoluções e aderi-la, eu friamente acredito no seu benefício futuro.
[]’s camarada,
raulpereira.
27 de agosto de 2007 às 20:06
Diário de Notícias - OPINIÃO - (Domingo,26 de Agôsto de 2007) O Sr.?, Dr.?, Prof.?, Sociólogo(?) Alberto Gonçalves, escreveu: “O velho Acordo Ortográfico de 1990, que permite redigir deste lado do Atlântico a maravilha acima ( acima vemos uma fotografia do Cristo Redentor no Rio de Janeiro ) e que se julgava falecido e enterrado, regressa para nos assombrar. …… Não basta o Acordo ser estapafúrdio na sua forma, os seus responsáveis empenharam-se em levar a originalidade aos pormenores, incluindo a cedência da lingua materna a variações faladas e escritas a sete mil quilõmetros de distãncia, por criaturas que, com frequência, e se calhar com razão, ignoram haver um País chamado Portugal.”
É lamentável, desanimador, preconceituoso e triste um sociólogo português escrever isso.
Tenho certeza de que, assim como eu, mestranda na Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa, outros estudantes, professores, mestres e doutores brasileiros que vivem aqui em Portugal, sofrem diariamente este preconceito.
27 de agosto de 2007 às 23:57
A língua pátria é algo que toca nosso coração; é natural, pois, que tenhamos opiniões tão fortes sobre a reforma da ortografia. Seja nos comentários desse artigo, seja em outros veículos, seja na minha própria pessoa, o que vejo são pessoas defendendo racionalmente preferências que nada têm de racionais. Até hoje não encontrei quem tivesse como saber as reais vantagens e desvantagens de se unificar a ortografia.
3 de setembro de 2007 às 21:57
Olá, eu so um mero estudante que vem de acabar o 12.º (o equivalente ao ensino médio no Brasil). Durante todo o meu percruso escolar, nunca vi sair das bocas dos meus professores de português tal coisa sobre este assunto. Só tomei conhecimento sobre ele através da Wikipédia em que a versão lusófona desta enciclopédia electrónica possui um “mix” infernal entre o português padrão e o português brasileiro (pt-PT e pt-BR, respectivamente).
Li o acordo na íntegra e devo dizer que este acordo não serve Portugal. Creio que o Brasil será muito mais beneficiado com esse acordo do que Portugal. Ouvi dizer que a variedade culturual lusitana na língua portuguesa irá perder-se no panorama internacional dando lugar à grafia do Brasil. “Será a grafia do Brasil a internacionalizar-se e Portugal ficará para trás” como foi dito por um representante do Ministério da Cutlura de Portugal.
Em relação acordo entre si, muita coisa está mal interpretado. Em Portugal o som [c] em palavras como “contacto”, “actualizar” e “acto” são pronunciadas, pelo menos na minha zona: Beira - Alta e Trás-os-Montes. Mas nem que fossem pronunciadas, aquelas letras representariam a origem etimológica da palavra em causa. Depois, não entendo e não vejo razão algumapara que se tira o “h” em palavras como “húmido”. Aliás, só dão essa palavra como exemplo. “Herva” realmente não existe em Portugal.
Até o próprio acordo afirma que se podem utilizar uma das duas grafias em casos especiais: “facto/fato”; “António/Antônio”; “Milénio/Milênio”… Isso é que o unir a ortografia do Português?
Eu vou ser sincero: este acordo é pura demagogia, ou seja, pretende-se atingir algo que já se sabe que impossível: unificar o Português. Além do mais, Portugal não está preparado e cheira-me que também não está interessado neste assunto. O governo não se prenucia sobre esta matéria bem como a comunicação social; as editoras não querem reeditar os seus livros e muitos linguísas afirmam-se contra o acordo (segundo o que tenho vindo a ler na Internet). Não se ouve falar disse em qualquer lugar. Só para verem que este acordo não se tem revelado em Protugal, o dicionário de Língua Portuguesa 2008 da Porto Editora ainda vem com a grafia actual e em vigor em Portugal desde 1910.
Acho que é verdade que se diz que isto não passa de uma pressão do Brasil sobre Portugal. Os argumentos que dizem ser de unir o português são uma fachada ao que está realmente atrás deste acordo: facilitar o acesso das editoras brasileiras em Portugal de modo a obter lucro.
Eu não gostei do comentário sobre o conservadorismo linguístico por parte de Portugal. Apenas utilizamos uma grafia diferente da do Brasil. Além do mias, as pessoas já estão tão habituadas a escrever como escrevem que será muito difici convencê-las em allterar a sua maneira de escrever.
2008, o ano para entrada do acordo em vigor em Portugal? Só se for em 2854 de uma outra era. Duvido muito que o acordo venha mesma a ser validado. Aliás, tenho a certeza. E mais! Eu acho que, se realmente um dia o acordo vier a ser implementado em Portugal, deveria ser feito um referendo nacional sobre esta matéria.
Abraço para todos.
3 de setembro de 2007 às 22:04
Só queria acrescentar o seguinte: o acorodo só existe porque hà diferenças em partes do planeta e não porque não se pronunciam certas letras ou certos ditongos. Realmente, os argumentos utilizados são, de certa maneira, falaciosos.
23 de setembro de 2007 às 21:57
Parabéns pelo complemento, o seu post é que está realmente ganhando ares de artigo e fórum.
A discussão está muito interessante, continuarei atento a qualquer outro material. Também informarei o link do seu post à pessoa que me enviou o texto que encaminhei. Certamente, ela poderá tirar algum proveito.
19 de novembro de 2007 às 16:29
olá, só gostaria de dizer que concordo plenamente com o Joel Teixeira dos Santos, e espero realmente que o acordo não vá em frente.
aluna da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
um abraço
20 de novembro de 2007 às 18:11
Se pesquisarem a palavra “ortográfico” no site http://noticias.rtp.pt, aparece algumas notícias sobre o acordo em Portugal, os grupos de interesse, SPA, APEL, editoras, livreiros exigem um debate público alargado primeiro. (Ou seja não vai ser aprovado para o ano)
25 de novembro de 2007 às 21:35
Olá a todos.
Realmente, esta controvérsia sobre um “acordo ortográfico” nunca mais vai acabar. Eu li esse acordo e, sinceramente, são mais as excepções/exceções que as regras! Mas, na realidade, eu defendo que deverá existir uma única maneira de escrever certas palavras. Inclusivamente, ainda me lembro, quando frequentei/freqüentei a escola básica, que me confundiam as chamadas “letras mudas” em palavras como “acção” ou “Baptista”. Se as letras não são lidas, por que diabo estão lá? E até com o “h” no início das palavras! Mas compreendo que foi a origem dessas palavras que ditou essa situação. Outra coisa: eu até defendo que o trema seja utilizado nas palavras como “freqüência”. Assim, qualquer aluno de 6 anos (de língua portuguesa) acabaria por perceber quando é que o “u” era lido ou mudo! Ou qualquer estrangeiro estudante de língua portuguesa também iria perceber essa realidade. Por outro lado, defendo que em palavras como “idéia” ou “assembléia” não faz sentido nenhum o acento, pois isso tem mais a ver com a maneira como essas palavras são faladas no Brasil (onde quase todas a vogais são abertas, tipo a língua italiana). Se lhes retirarmos o acento, “ideia” e “assembleia” são lidas da mesma forma.
Concluindo, penso que seria mais fácil para qualquer estrangeiro entender palavras escritas no Brasil, em Portugal, na Angola ou em Timor, como por exemplo este pequeno texto que inventei agora: “Ação, Vitor Batista! Freqüentei de facto muitos cursos de Português e fiquei com a ideia que seria ótimo as palavras serem as mesmas, independentemente do lugar onde estão sendo escritas! O tempo hoje está húmido! (Ou será, o tempo oje está úmido?)…”
1 abraço.
2 de dezembro de 2007 às 14:11
Recuso-me a aceitar este acordo ortográfico. Até morrer vou continuar a escrever facto com C. É uma vergonha Portugal deixar-se ir nesta onda e não defender a língua de Camões!
2 de dezembro de 2007 às 19:04
Claro que “facto” não pode ser escrito sem “c” em Portugal, pois, se não estou em erro, todos os portugueses dizem o “c” de “FACTO”, e não “FATO” (que é “TERNO” no Brasil…)
4 de janeiro de 2008 às 14:05
Porque não quero o novo Acordo Ortográfico…
Porque o Acordo Ortográfico de 1990 não é bom, e porque não quero nunca que entre em vigor: Porque a língua escrita não tem de ser um espelho da expressão oralMuitos portugueses dominam o inglês e o francês e sabem……
4 de janeiro de 2008 às 14:07
Ainda contra o acordo ortográfico…
Um simples texto que escrevi há tempos, Porque não quero o novo Acordo Ortográfico, tornou-se rapidamente num dos mais comentados e lidos artigos do meu diário.Antes de mais nada digo que não gosto de ver resvalar esta discussão para hostilidades…
22 de janeiro de 2008 às 19:47
Eu já ficaria muito satisfeita se houvesse um Acordo Ortográfico Tupiniquim. Não é brincadeira não… As divergências existentes nos dois melhores dicionários brasileiros (Aurélio e Houaiss) e ainda no VOLP são de deixar qualquer um maluco. Vejamos:
- vocábulo HINDI - o VOLP e o Aurélio averbam a forma oxítona, mas no Houaiss está como paroxítono: híndi;
- vocábulo SINDI - aqui as coisas se invertem: o VOLP considera o vocábulo paroxítono (síndi) e o Houaiss oxítono (sindi)! Note-se que ambos os vocábulos são línguas faladas na Índia;
- vocábulo IANOMAMI - o VOLP o considera oxítono enquanto Houaiss & Aurélio o consideram paroxítono (ianomâmi);
- vocábulo HINDUSTANI - aqui Volp & Aurélio vão de oxítono enquanto o Houaiss vai de paroxítono (hindustâni);
- vocábulo LEMINGUE - Aúrélio & Houaiss averbam as duas formas (lemingue & lêmingue), mas o VOLP não averba lemingue (só lêmingue). Entretanto o mesmo VOLP averba lemingue-malhado!
E por aí vai…
Portanto, antes de querer efetivar um Acordo Ortográfico geral já seria ótimo se lingüistas/lexicógrafos tupiniquins entrassem num acordo para, pelo menos, nós, brasileiros, sabermos como escrever corretamente determinadas palavras.
2 de março de 2008 às 17:02
Como português desconhecia que no Brasil se escrevia lingüiça, tendo uma leitura de acordo com o que dizemos, e que o acordo quer abolir.
Gostaria de saber porque é que:
- “freqüência”, que se diz “frecuência” e se deve escrever “frequência”. Não sabia mas na pesquisa que fiz “frecuencia” é uma palavra que se usa no castelhano.
- “lingüiça”, que se diz “lingu-iça” e se tem de escrever “linguiça”.
Ou será que o “u” nestes casos, nunca deve ser lido? Se assim for tudo bem!
2 de março de 2008 às 20:57
@Luis: Na ortografia brasileira vigente, “frequência” seria pronunciado como “frekência”, e em “frecuência” teríamos um hiato, e não um ditongo. “Linguiça” seria pronunciado como “linghiça” (usando o “gh” do italiano), e “lingiça”, como “linjiça”; um brasileiro leria “lingu-iça” com 4 vogais, enquanto “lingüiça” tem 3 vogais e uma semivogal.
4 de março de 2008 às 20:10
Como deveríamos escrever “freqüência” e “lingüiça” sem o trema, e manter a pronuncia? Depois do acordo deveremos todos pronunciar “frekência” e “linghiça”?
4 de março de 2008 às 23:49
Implantado o acordo, a pronúncia continuaria a mesma e a escrita, diferente. Muitos brasileiros se queixam justamente que seria difícil então saber como se pronuncia uma palavra só de lê-la.
5 de março de 2008 às 07:38
Como é que tu pronuncias (evento): “facto” ou “fato”. Em terras lusas pronuncia-se como “fákto”. Em latim é “facto”. A trema não surgiu do latim.
É tudo uma questão para ling[uü]ístas
Leonardo, não consigo remover-me da subscrição destes comentários.
5 de março de 2008 às 19:56
No Brasil a pronúncia é “fato”.
Removido. Se você receber um e-mail com meu comentário, me avise
6 de março de 2008 às 17:32
O terno(português brasileiro) ou fato(português europeu) é uma peça de vestuário masculino.
De fa(c)to se o (c) seria mais uma palavra com dois significados.
É também verdade que na ortografia portuguesa há uma série de palavras com pronúncia diferente mas grafia igual (estou a referir-me às homógrafas), como sede, «vontade de beber», e sede, «lugar, centro de a(c)cão».
Em http://www.ciberduvidas.pt , existem muitas explicações baseadas no latim, como por exemplo “Quanto a cinquenta, o latim quinquagenita, cuja variante vulgar cinquaginta é o seu étimo, passou a cinquenta, que manteve a pronúncia do u por se ter consciência do seu parentesco com o numeral cinco, cujo o se ouve, com o som de u.”
Se estamos a rever o acordo, não se pode encontrar uma grafia que resolva estas e outra dúvidas?
7 de março de 2008 às 14:00
O governo português ratificou ontem o acordo (notícia do Público), e como no parlamento têm maioria, e o presidente mostrou-se favorável, este será (se calhar) implementado em 2014. Duvido que a maior parte da população portuguesa conheça o assunto. São notícias de rodapé…
Discordo da implementação deste acordo, já desbobinei o porquê no meu blog
(LF: ainda recebo os emails)
29 de março de 2008 às 14:32
[...] Meu artigo anterior sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa continua sendo um campeão de audiência, mais ainda em 2008 do que quando foi escrito. Se naquela época aumentava o burburinho sobre o acordo, hoje as notícias recentes me fazem acreditar que, finalmente, o acordo será colocado em prática. [...]
13 de abril de 2008 às 21:28
Sou completamente contra este acordo ortográfico! Não faz sentido absolutamente nenhum mudarem a maneira de escrever as palavras apenas porque dá jeito aos brasileiros! Sim, e não digo apenas no sentido da escrita, porque o que verdadeiramente está por detrás deste acordo ridículo e desnecessário é um grande negócio de milhões. Ora a quantidade de livros que se escrevem e se fazem no brasil após este acordo iriam invadir um mercado potencial de clientes duplicado! Livros estes, incluindo manuais escolares. Nem quero imaginar daqui a alguns anos as crianças a falar e a escrever algo que nem é Português nem brasileiro é algo tipo uma mistura rafeira de línguas…
Estou a notar algum conformismo dos profissionais da palavra, professores, escritores, jornalistas, o que não é nada bom.
Não sou contra a introdução de novas palavras no vocabulário mas agora alterar aquelas que existem, e da maneira como são alteradas é RIDICULO! No que depender de mim não irei adoptar estas alterações.
E os brasileiros que se lembrem que a língua portuguesa nasceu em Portugal nós ensinámos-vos a falar e a escrever por isso NUNCA irei aceitar que venham alterar a nossa língua, o nosso património!
Já agora quem quiser assinar a petição para abolir este magnifico acordo:
http://www.petitiononline.com/asdf54gf/petition-sign.html
15 de abril de 2008 às 22:24
Caro amigo Sérgio Mestre,
Eu descordo parcialmente de você. Todos os idiomas evoluem e se alteram com o passar do tempo. A testemunha disso é o próprio idioma português. Eu não estudo linguística, mas dizem que o português por exemplo é o filho mais novo do latim. Aliás, o nosso idioma era o galego-português, que depois, com o passar dos anos, virou o português.
Alguém lembra o PH e de pharmacia? Alguém lembra que o proibido tinha uma letra H (prohibido)?
Por acaso alguém ainda fala vosmecê no lugar de você?
E a influência e outros idiomas? Temos muitas palavras de origem inglesa, francesa e principalmente árabe.
A capital da Rússia é Moscovo ou Moscou? Se eu escrever Moscou vocês saberão que é Moscovo?
Enfim, houveram várias evoluções há séculos de utilização do idioma e em alguns aspectos foram regionalizados em algumas espécies de dialetos nas vastas regiões brasileiras, África e Portugal.
Um dia o Brasil já falou baptismo, acto, facto, óptimo assim como ainda é usado em vosso país, mas com o passar dos anos, essas consoantes ficaram tão imperceptíveis que elas nem existiam mais na fala e posteriormente, foram até retiradas da escrita. Será que isso não é uma tendência também em Portugal? Sei lá, não conheço Portugal para afirmar isso, mas conheço diversos portugueses que também falam essas consoantes de forma muito leve e imperceptível.
Esse assunto é bastante polêmico e discordo que o assunto afetará muito menos os brasileiros do que os portugueses. Para mim, nisso tudo a demografia tem um papel muito importante sim, pois qualquer alteração afetaria muito mais o Brasil do que Portugal, que aliás, o português mais falado no mundo é o português do Brasil.
Creio que se a gente colocar em uma balança, o impacto será muito grande nos 8 países de língua portuguesa e isso não pode ser mudado do dia para noite, mas nada impede de ser implantado e colher futuros frutos.
Apesar dessas diferenças existirem, elas não são tão grandes assim. Caso fossem, eu não teria lido o seu texto normalmente.
Se elas não são tão grande assim, então porque não unir a escrita?
Por fatores culturais, históricos, arrogância? O que?
Na minha opinião particular, todos os países que falam português sairão ganhando com esse acordo, principalmente os africanos que poderão utilizar mais materiais científicos vindos de Brasil e Portugal sem que haja necessidade de “tradução”, assim como um intercâmbio cultural maior com os nossos “pais” portugueses.
Abraços,
Roger
23 de abril de 2008 às 19:24
E claro que este”acordo”nao vai para a frente!!!!portugues de portugal e uma coisa e portugues do brasil e outra!!!!e mesmo se este “acordo”fosse posto em pratica continuaria a existir dois portugueses,nao e so na ortografia que escrevemos de modo diferente!!!!os brasileiros escrevem”eu estou chegando a casa”os portugueses”eu estou a chegar a casa”!os brasileiros”eu estou falando com voce”os portugueses “eu estou a falar contigo”!E depois existe muitas coisas da qual disemos de modo diferente,brasileiro”aids”portugues”sida” etc etc etc nunca mais acaba!!!!Resumindo tinha-se que faser na mesma traducoes paras as duas variantes!!!E a que nao esquecer que os brasileiros sao 180 milhoes a escrever a sua variante!E o de portugal sao quase 50 milhoes!!!!!Eu ja assinei uma petiçao e estou pronto para sair a rua se necessario!!!
23 de abril de 2008 às 22:11
Marcio,
Então quer dizer que vc não entenderia se eu escrever:
“Estou a ler o seu comentário” ou “Estou lendo o seu comentário”?
As duas formas estão corretas e existem tanto no Brasil quanto em Portugal. É apenas um regionalismo!
Então quer dizer que o Brasil não se entende internamente? Então quer dizer que poderíamos dizer que existe o português baiano, o português catarinense, o português paulista, o português paranaense (mais precisamente curitibano), o português amazonense, etc???
Vc por acaso come cachorro quente com salsicha (várias partes do Brasil) ou com vina (em Curitiba)?
Quando vc vai à padaria vc pede 10 pães francês (várias parte do Brasil) ou pede 10 cacetinhos (Rio Grande do Sul e Salvador)?
Então quer dizer que o catarinense não pode mais falar que “comprou um presente para ti” porque a sua região fala que “comprou um presente para vc”?
Sem falar que o carioca não poderá mais utilizar o “tu podes fazer um favor” porque a sua região fala “você pode fazer um favor”?
Que idioma Brasil fala então se dentro dele há grandes diferenças?
Como eu disse no meu comentário anterior, eu não estudo linguística, mas não tem como vc acabar com a forma diferente das regiões onde fala-se português, até mesmo porque nosso idioma é muito rico, mas a escrita pode ser perfeitamente padronizada, pelo menos eu penso assim.
Grande abraço,
Roger
24 de abril de 2008 às 06:19
Roger Lovato,claro que nos entendemos!E presisa mesmo isso que eu defendo!Existe muitas formas de escrever e falar o portugues!As diferenças sao uma virtude e nao um defeito!Agora se amanha mesmo com um acordo ortografico um livro escrito em ingles continuara a ser tradusido em portugues do brasil e outro em portugues de portugal!o objectivo deste acordo e completamente nulo!!!!Ja agora em relaçao ao” baptismo, acto, facto, óptimo “a unica tendencia so se for para abrasilarar a nossa escrita,porque em portugal agente fala como esta escrito!!!O mais flagrante de todos e o “facto”porque so nao deixavamos de escrever como falamos como tambem passava a ter outro segnificado fora do contexto!Pois “fato”e para vestir!!!Mas mesmo com este “acordo”em portugal continua-se a escrever “facto” e no brasil “fato”portanto continuara sempre a existir 2 variantes do portugues!Abraço
24 de abril de 2008 às 07:02
Marcio,
Uma palavra ter mais de um sentido é muito comum em nosso idioma. O que tem vc dizer “fato” para vestir ou “fato” para um “facto”?
Não seria a mesma coisa que “eu pulo um carro”? Esse pulo é do verbo pular ou do verbo polir?
Assim como esse exemplo, existem outras dezenas (ou centenas) deles. Nosso idioma é complexo por natureza e basta a gente começar a ler um livro que a gente pode perceber a grande quantidade de palavras com duplo significado.
O que entra aí é o contexto da frase, pois certamente na frase exemplo vc teria conversado comigo algo como “Eu lavo e pulo o carro”.
Um grande abraço,
Roger
25 de abril de 2008 às 10:52
Roger Lovato,como eu disse a gente fala facto!!”eu fui ao campo colher o trigo” e “eu fui ao campo colhér o trigo”tens aqui um exemplo porque nao é possivel!porque o brasil nao intruduz o c no facto?fasia mais sentido!Tens que ter em conta as diferenças culturais,se diseres a algum portugues “eu lavo e pulo o carro”ele pensa que lhe tas a diser que”lavas o carro e saltas por cima dele”porque “pulo”do verbo pulir nao se utilisa em portugal,por essa mesma razao que mensionas-te do duplo sentido!!!Portanto e mais um exemplo de como e impossivel existir um unico portugues escrito!porque as nossas diferencas nao sao so ortograficas mas tambem culturais!Num livro brasileiro escrito “eu lavo e pulo o carro”tem sempre que ser tradusido para o portugues de portugal para a frase fazer sentido para um portugues!Abraço
25 de abril de 2008 às 11:47
O Sr. Márcio está a mentir descaradamente: Eu sou português e posso garantir que pronuncio “otimo” “ato”, etc. É claro que “facto” é pronunciado e escrito da mesma forma e por isso existe no acordo a dupla grafia, sendo ambas correctas. - “correcto” também o c é mudo - (Segundo as últimas sondagens cerca de 60% dos portugueses estão a favor do Acordo).
Parem de mentir aos brasileiros. Sim ao acordo
25 de abril de 2008 às 12:13
Eu fico estupefecto com os comentários de muitos portugueses ( sempre os mesmos) tentando lançar o pânico em Portugal e no Brasil; chegam ao cúmulo de dizerem que ” escrevemos com o pronunciamos), ora isso é ser intelectualmente desonesto. Eu como português, posso garantir e JURAR que palavras como baptismo, acto, correcto, adopção, óptimo, e outras centenas de palavras o “c” e o “p” sao mudos. E tentam enganar os portugueses ao dizer que palavras como “facto” e contacto” passarão obrigatoriamente a “fato” e contato” …… o que é falso, porque nesse caso ambas estarão certas. Mas há mais: Com o acordo Portugal fica a ganhar, porque os livros portugueses no Brasil não serão traduzidos e assim, os brasileiros aos poucos saberão o que significa “autocarro” e estaremos finalmente em pé de igualdade. Nós portugueses já conhecemos o portugues do Brasil… no futuro os brasileiros conheceram melhor a alma lusitana. Reparem que não há traduções de livros ou até no cinema entre os estados Unidos e o Reino Unido. Porquê? Porque a dupla grafia é aceite. Ora o acordo também prevê a dupla grafia…
25 de abril de 2008 às 12:15
Corrijo: “estupefacto”
25 de abril de 2008 às 13:39
sr paulo,pois eu sou portugues e pronuncio como escrevo!Por exemplo o p do optimo embora ligeiramente,faz toda a diferença!Pelo menos no centro e no sul escrevemos como falamos,nao conheço muito bem o norte do pais!Se calhar voce e do norte!!!Eu sei que nessa grafia que queriam implementar facto e fato estaria correcto,mas agora diga-me voce como portugues se tem alguma logica eu escrever “o que eu disse é um fato”?E o mesmo que eu dizer “o que eu disse é um vestido”como e obvio nao tem logica nenhuma,e um autentico disparate!Que sondagens sao essas?Eu pessoalmente nao conheço ninguem a favor!e se voce navegar pela internet onde se aborda esta questao lé perfeitamente nos comentarios que mais de 90% dos portugueses sao contra!!!Mas isto nem sequer se trata da maioria dizer que sim ou nao.Diga-la se amanha mais de 50% portugueses quisesse adoptar a lingua inglesa como a primeira lingua oficial de portugal os governantes teriam legitimidade para tal???
25 de abril de 2008 às 13:56
Sr paulo nos e.u.a,Reino unido e outros paises de lingua inglesa nao existe dupla grafia!Existe sim açeitaçao das diferenças entre esses paises!Aprenderam a conheçer-se e aceitar suas diferenças!Algum que tambem devia de aconteçer entre os paises de lingua portuguesa!Em vez de inventar estes disparates de “acordos”!O primeiro filme Australiano a estrear no e.u.a por volta de 1979 de seu nome”Mad Max”foi na altura dobrado para a “Americano”devido a sua linguagem incompriencivel para os americanos!Hoje isso é impensavel pois os americanos aprenderam a conhecer os australianos,a sua grafia,calao,sotaque etc…
25 de abril de 2008 às 14:00
E nao é presiso um acordo a prever a dupla grafia pois essa duplicidade ja existe!Mais uma vez para que serve afinal o acordo?
25 de abril de 2008 às 14:20
Sr. Marcio, eu penso que convém esclarecer algumas situações. Quando digo que no óptimo o “p” é mudo quero dizer que é mudo para quase 100% dos portugueses. Mas se seguirmos essa lógica então os alentejanos têm todo o direito a grafar ” bejo” e não “beijo” e as pessoas do Norte poderão com grande legitimidade grafar ” balor” e não “valor”. Meu Caro, uma Língua viva tem de ter regras. Um acordo significa isso mesmo: um acordo; não há acordos perfeitos, mas garanto se não houver acordo, dentro de trinta anos, talvez menos, o Brasil seguirá o seu caminho, o mesmo acontecendo com os africanos; as diferenças cada vez serão maiores os brasileiros falarão a Lingua Brasileira e o que será mau para o Brasil, porque ficarão isolados do mundo; e Portugal também ficará só… orgulhosamente só… como a Língua Húngara.
Quanto à sondagem refiro-me uma feita à cerca de três meses . Na net não há sondagens, apenas ruído.
25 de abril de 2008 às 14:29
Sr. Marcio: O problema é que actualmente a dupla grafia não é aceite. Por exemplo, um brasileiro em Portugal se escrever “fato” é considerado erro ortográfico. Com este acordo acabam estes “erros” ortográficos. Ora, entre ingleses e americanos, a dupla grafia não é considerada erro e sempre foi aceite. Com o Acordo Portugal e Brasil ficam finalmente numa situação idêntica a Estados Unidos e Grã-Bretanha.
25 de abril de 2008 às 14:49
Meu amigo Marcio,
O que eu velho que vc sempre está esquecendo, é o contexto da frase.
Se vc dizer que a mulher vai vestir o fato, é claro que vamos entender que ela irá vestir o vestido, mas se vc disser que “o fato é verídico” vc automaticamente saberá que é um fa(c)to.
Nào estou conseguindo entender porque isso está confundindo muitas pessoas em Portugal…… acho que todos estão esquecendo de que toda as frases tem um contexto e estão vendo apenas uma palavra em separado.
colher (sub.) –> instrumento para comer
colher (verb.) –> ato de colher algo (colher trigo)
Se ver a palavra separadamente, obviamente não dá para distinguir, mas veja agora:
O João está comendo a comida com uma colher.
O João vai colher trigo.
Sabes agora como distinguir?
Grande abraço.
Roger
25 de abril de 2008 às 14:58
Como português, desconhecia que no Brasil se escrevia “freqüência”, retirando o trema com o Acordo Ortográfico se escreve “frequência”, perdendo-se assim a informação que o u é lido.
Se estamos a rever o acordo, não se poderia encontrar uma grafia que resolva estas dúvidas?
Poderia se escrever “frecuencia”?
Porque não um duplo u e escrever “frequuência”?
Utilizando o hífem e escrever “frequ-ência”?
Ou retirar o u mudo e escrever “qente” em vez de quente?
Talvez seja tarde!
25 de abril de 2008 às 17:22
o p nao é acentuado como as outras letras mas faz o seu papel na palavra “optimo” para 100% dos portugueses!E seguindo a sua logica devemos passar a escrever”brigado” em vez de “obrigado”!O brasil tem o direito de escrever e falar do modo como quiser nao é da nossa conta!O portugues do brasil é o mais escrito do mundo mas esta todo limitado ao sul da america!!O portugues de portugal é mais universal escrito na europa(portugal e uniao europeia),Africa(5 paises),Timor leste,macau,goa e outras 3 cidades indianas e outros povos no mundo onde as pessoas(embora nao sendo lingua oficial)sabem falar e escrever portugues como por exemplo no havai,onde ja la estive e fiquei espantado com a presença da nossa cultura e lingua!Isto tudo andara por volta de quase 50 milhoes a escrever o portugues de portugal!Se um dia como voçe disse ficarmos sos como a hungria sera porque nao lutamos e nem defendemos aquilo que é nosso!!
25 de abril de 2008 às 17:27
A net e uma excelente forma das pessoas expresarem e trocarem ideias e opinioes!Quando voce fala em “ruido” soa-me a defice democratico da sua parte!
25 de abril de 2008 às 17:46
Roger Lavato,existe “colher” e “colhér”o acento no segundo na letra”é” faz a destinçao das duas!!!Existe alguma confusao,quem veste o fato nao é a mulher mas sim o homem:)Em algumas frases atraves do contexto podera-se saber qual dos fatos ou factos terao-se a referir mas nem sempre!!Imagina tirares o “h” da palavra “colher” e passares a escrever “coler”,continuas a falar “colher” mas escreves “coler”achas que isso faria sentido???Os portugueses falam muito desta palavra porque é a mais flagrante de todas,é impossivel um duplo sentido para alem de agente dizer realmente “facto”e nao “fato”dei o exemplo da palavra “colher” passar a escrever “coler”para ver se compreendes que o “c” no “facto”é tao necessario como o “h”do “colher”!Abraço
25 de abril de 2008 às 17:54
Não me parece que exista “colhér”, mas apenas “colher”. Penso que são palavras homografas. Pelo menos julga que é assim aqui em Portugal há cerca de 50 anos.
(continua)
25 de abril de 2008 às 18:05
mas há mais exemplos: “pregar” de pregar um prego e “pregar” do padre pregar na missa. Mesmo sem acordo estes supostos problemas já existem.
Vamos a factos: Existem actualmentes duas grafia oficiais no mundo da lusofonia: A lusoafricana e a brasileira e é verdade que a lusoafricana está mais espalhada pelo mundo, mas sem o Brasil, o que sobra? Um país pequeno na Europa, 4 ou 5 micro-países/arquipelagos e dois pobres e médios países onde uma parte da população mistura dialectos crioulos com português. Algum tipo de acordo tem de haver, sendo que a variante lusoafricana não desaparecerá, apenas será atenuada em relação à brasileira. Um Acordo salvará a longo prazo a Língua Portuguesa, a terceira mais falada do ocidente.
25 de abril de 2008 às 18:42
Posso confirmar agora que colher (verbo) e colher (utensílio) são palavras homografas: sentidos diferentes com grafia exactamente igual… em Portugal também com pronúncias diferentes.
2 de maio de 2008 às 10:17
Saibam mais sobre este acordo em: http://prowebpt.com/2008/05/02/tudo-sobre-o-novo-acordo-ortografico/
3 de maio de 2008 às 08:05
Tiago: Gostei do artigo, em especial não tinha parado ainda para pensar nas implicações jurídicas de apenas alguns países adotarem o Acordo Ortográfico.
Não deixe de conferir minha sequência a este artigo!
4 de maio de 2008 às 12:53
Tiago Pimentel,
Achei muito interessante o artigo…. Talvez eu até comece a concordar que para Portugal esse acordo seria muito mais complicado do que para o Brasil, mas será que seria egoísmo por parte dos brasileiros em dizer que isso seria apenas uma fase de adaptação?
Acho que existem dois pontos em questão:
1) A sobrevivência e evolução do idioma português: como antigamente não existia telefones, internet, televisão, etc. os idiomas evoluíram, cada um para a sua direção. Foi isso que fez com que o português, frances, espanhol e outros surgissem. E isso fez também com que o português do Brasil fosse para uma outra direção, influenciado também por outros idiomas que colonizaram o país, sem falar também nas linguas indígenas. Com a facilidade de comunicação que temos hoje, na minha opinião é totalmente plausível que o português de Portugal e o português do Brasil possam se unir novamente em um idioma comum com diferenças apenas nos sotaques.
2) Será que com o tempo o português do Brasil não poderá se transformar no “idioma brasileiro” e a terceira (ou quarta) lingua mais falada no ocidente ser o “brasileiro” ao invés do portugues?
Bem, creio que sejam alguns pontos para serem analisados.
7 de maio de 2008 às 08:32
Ora boas!
Joel Teixeira dos Reis, andreia, Cláudia, Ricardo.pt, Sérgio Mestre, Marcio, totalmente de acordo convosco!
E sim Roger Lovato, ainda há quem diga “voscmecê”!
Paulo, desses 60% acredito que 5% saiba do que realmente estão a falar. Não conheço nenhuma pessoa a favor deste acordo que quer “assassinar” a “língua de Camões”.
O “p” em óptimo faz toda a diferença, o “c” em “facto” é lido, e em casos como “correcção”, “correcto”, não sou a favor da eliminação das origens etimológicas das palavras que nos ajudam em muitas outras situações! Uma língua não é só falada, é estudada, é conservada, é escrita, tem origens e história e tudo isso deve ser respeitado!
Já agora porque não dizemos “matrakilhos” em vez de “matraquilhos” já que o “k” vai fazer parte do alfabeto? Podíamos sempre começar a escrever “à chat”! Ou então “que” passar a “qe” ou “k”…
O trema não tem razão de ser, desculpem lá…Para alguma coisa serve a escola e qualquer puto de 6 anos (como já disseram aqui) sabe bem quando se lê o “u” ou não.
“Mudanças incluem fim do trema e devem mudar entre 0,5% e 2% do vocabulário brasileiro.” - Acho que o vocabulário de Portugal (já nem digo Português…) vai mudar bem mas bem mais! Porque haveríamos de ceder, nós portugueses de onde esta linda língua nasceu, à grafia brasileira?? Não tenho nada contra o Brasil e os brasileiros, bem pelo contrário, mas tenho muito orgulho em ser Português e de ter crescido aprendendo esta língua complicada mas apesar de tudo linda. Deixem as diferenças culturais de lado, pois são elas que nos põem a falar de forma diferente e não é com tratados destes que a coisa se vai resolver.
5. “pêra” (substantivo - fruta), “péra” (substantivo arcaico - pedra) e “pera” (preposição arcaica) - Vamos começar a dizer “pera” em relação à fruta?! Eu como uma pêra e acentuo bem aquele “e”, não como uma pera com o “e” fechado…
“assembléia”, “idéia”, “heróica” e “jibóia” - Vou começar a dizer “jiboia” e “heroica” pronunciando o “oi” como em “boi”?? Boa, descobri um animal novo… Estas novas palavras não fazem sentido nenhum meus amigos, me desculpem… E se o objectivo era mudar apenas a grafia, enganem-se, porque isto muda (E MUITO) a maneira como as palavras são ditas. Aqueles acentos nos “e” são típicos da pronúncia brasileira, lá está, diferenças culturais.
“António/Antônio”; “Milénio/Milênio” - Ninguem em Portugal diz “Milênio”! As palavras são para ser ditas conforme as lemos! Mais um caso cultural que não tem nada a ver. Brasil que escreva como lê, Portugal que escreva como lê, e nós lemos o acento em “António” e não é circunflexo de maneira alguma.
E desculpem a forma desordenada deste comentário mas fui escrevendo à medida que fui lendo os outros comentários.
Abraços, Daniel Fernandes
7 de maio de 2008 às 14:20
Não concordo com o acordo, por várias razões, algumas ou todas são invocadas por alguns dos intervenientes. No entanto faltaria a um dos meus sagrados deveres se não escrevesse que nunca vi português tão mal escrito como nas missivas acima. Primeiro aprendam a escrever português.
8 de maio de 2008 às 18:57
Para aprendermos a escrever português, dava jeito um dicionário lusófono e que se esclarecesse a grafia de quente e frequente.
16 de maio de 2008 às 00:23
quente < calente (fonema /k/ no latim)
frequente < frequente (fonema /ku/ no latim)
16 de maio de 2008 às 09:25
Caros amigos
Sou português e tenho o maior orgulho em vos informar que foi esta manhã aprovado no Parlamento em Lisboa o Acordo Ortográfico.
Hoje a Nossa Lingua ficou maior
Um abraço fraterno a todos os brasileiros e aos portugueses que pensam grande.
16 de maio de 2008 às 10:20
Caro Roger Lovato
Eu estou completamente de acordo consigo. Um exemplo de que hoje os idiomas não divergem, antes convergem, é o que está a acontecer com o Inglês. Atualmente a BBC ou a CNN tem pivôs oriundos dos vários ambientes onde a Lingua é falada, a GB, os EUA, a Austrália. Na verdade o modo de falar vai-se nivelando, e um dia acabarão todos por falar de modo muito aproximado, provavelmente à maneira da California.
Quanto ao seu segunto ponto, vc tem toda a razão, e eu acho que a maior parte dos meus compatriotas portugueses parecem desconhecer que a LP tem valor no mundo porque é falada no Brasil. Sem o Brasil a LP seria tão importante quanto o Checo ou, pior ainga, quanto o Catalão, uma espécie de lingua regional da Espanha.
16 de maio de 2008 às 12:32
Rodrigo realmente muito obrigado pela informaçao,isso e tudo feito a revelia julgando que passa despercebido aos cidadaos lusos!Obrigado por nos manter informado da traiçao do nosso governo ao povo portugues!Eu vou lutar pela patria ate onde der e espero que os portugueses despertem de uma vez por todas com a realidade de que os politicos nos estao a vender!Se realmente os portugueses nao lutarem e conformarem-se com isso eu da minha parte ja tomei a decicao de abandonar o pais!Afinal de contas nada mais me prendera a este pais!Pois nele ja nao poderei ser aquilo que amo ser PORTUGUES!
16 de maio de 2008 às 12:38
Acho que a lingua portuguesa teria muito menos que mudar se mudase-mos para espanhol!!Praticamente bastava meter os “L” e os “ONS” em vez de “aes” e pronto assim a nossa lingua seria muito maior e unificava uma maior parte do mundo!!!Entao simplesmente mudamos para “ingles”que e a lingua universal!Infelismente politicos portugueses sao fracos e sem visao do futuro,nao teem capacidade para nada a nao ser lixar o pais!
16 de maio de 2008 às 20:03
Rodrigues: obrigado pela notícia!
17 de maio de 2008 às 17:37
“A língua é mais um reflexo, ou espelho, do que colectivamente somos, do que o inverso. Noutras palavras, não somos o que somos por causa da língua que falamos, e a nossa língua não é melhor do que as outras naquilo em que não formos melhores do que os outros. Os brasileiros desengravataram o português (como diria Vinicius de Morais) e a língua que tinham era a nossa, barroca, dos séculos XVII e XVIII. Os americanos arregaçaram as mangas ao inglês e vestiram-lhe jeans.
A língua portuguesa não é mais ou menos fraterna do que as demais, nem mais ou menos dominadora ou dialogante que as suas congéneres (Alfredo Margarido cita o gramático João Ribeiro para quem o português não seria “uma língua de diálogo, mas de dominação e de ordens”. Ela foi perra e atada no tempo do fascismo, e era a mesma descendente de Camões e de Eça. Hoje está solta (para alguns, demasiado solta), porque hoje estamos à solta ou, pelo menos, mais descontraídos e mais em contacto com o resto do mundo. Quem negará todavia que, após o 25 de Abril, a língua portuguesa se libertou porque os portugueses se libertaram de amarras diversas? Basta compará-la com a que se escrevia nos jornais e se falava na rádio e TV dos tempos idos do PREC.
Foi isso que Mia Couto captou maravilhosamente ao parafrasear Bernardo Soares: “A minha pátria é a minha língua portuguesa.” No caso dele, é o português de Moçambique. Noutros, será o do Brasil, de Cabo Verde, ou dos Açores. Uma língua plural como os seus falantes, que tanto podem ser conservadores, como comunistas, ou liberais. Que foram monárquicos e inquisidores, comerciantes e missionários, e descobridores e traficantes de escravos, colonialistas e aventureiros. A língua deles foi registando tudo isso e daí que hoje procuremos limpá-la, arejá-la, modernizá-la. Mas isso só acontece porque estamos a tentar fazer o mesmo à própria cultura que ela expressa e que nós vivemos.”
Onésimo Almeida
http://dererummundi.blogspot.com/2008/05/sobre-lngua-portuguesa.html
17 de maio de 2008 às 19:38
Olá, dada a situação actual, eu escrevi outro texto na Wikipédia e que passo a divulgar aqui:
Chegou a hora de actualizar esta secção. Como toda a gente sabe, parece que o Estado português conseguiu aprovar o maldito e horrendo Acordo Ortográfico. Muitas pessoas perguntaram-me porque estava contra e houve uma ou duas que me acusassem de nacionalismo exagerado. Eu respondo-lhes dessa maneira: Apesar de ter uma visão europeia e liberal, quando se trata do património de um Estado, é necessário a sua defesa e a sua projecção. Eu sei que o Português não é só nosso mas também sei que sou utilizador dessa mesma língua e é meu dever defender a variedade lusa presente na língua que identifica Portugal no mundo.
Passados alguns meses, pude aprofundar mais os meus conhecimentos em torno desta matéria. E o que posso concluir é que existem muito mais pessoas contra do que a favor. Como é que sei? Simples: ao investigar as entradas na Internet, ao ler as mais variadas crónicas de linguistas e deputados e ao ler a grande quantidade de opiniões, pode-se concluir que os portugueses não querem o Acordo. Tal como diz o tradutor João Roque Dias, clamamos nós em escrever ‘ação’ ao invés de ‘acção’?.
Mas pensemos o seguinte. Os senhores que se dizem a favor das alterações não possuem nenhuma razão científica e linguística para essas mesmas alterações. Eu notei e noto, ao ouvir e ao ler as crónicas dos ‘prós’, um discurso mais político e sencionalista do que propriamente real e científico (Ai não sei quê países irmãos, Ai e tal a projecção). No programa Prós e Contras da RTP, uma senhora de origem africana disse que o Acordo ajudará na alfabetização dos povos pois a escrita tornar-se-á mais simples. Isto é uma simples estupidez e mostra que, afinal de contas, o acordo é para facilitismos. Eu nasci na Suíça e convivi com a ortografia francesa que é muitíssimo mais etimológica. Escrevem mysthère, pharmacie, aujourd’hui, etc. e nenhuma ex-colónia francesa nem o Canadá entrou em guerra com a França acerca disso, ou seja, toda a gente aprende aquela ortografia arcaica (e aí, sim! É mesmo arcaica!). Mas, no Português não! Temos que facilitar para os pobres meninos porque não sabem escrever em condições. Pois bem, façam o favor de investir melhor da educação e na escrita e não invetam estas pasmaceiras. Porquê? Porque quando estava a ter aulas na escola portuguesa na Suíça, tive que copiar muitos textos e redigir ditados para escrever bem e correctamente. Cada erro era uma grande chamada de atenção. Por isso, não me venham com esta desculpa descarada.
Mas continuemos e vejamos a grande falcidade. Diz o acordo que o principal objectivo é unificar a ortografia e projeccioná-la no âmbito mundial. Essa é de rir! De rir! Desde quando é que uma língua se diz ter uma única ortografia aceita duplas ou até triplas grafias? Não conheço outras línguas que tenham tal barbaridade! Chamam eles a isso unificar? Pois eu chamo a isso enganar tantos os portugueses como todos os outros povos porque na realidade isto é dizer o dito por não dito, mentir e arranjar argumentos falaciosos.
Porém, dizem aqueles senhores que se trata de uma estratégia para o Português. João Roque Dias afirma: É estratégico, sim. Mas para o Brasil. Que fique bem saliente que eu nada tenho contra o Brasil mas aqui, neste assunto é amigos, amigos; negócios à parte. Quem fica a ganhar? Portugal? Não acredito porque mesmo sendo o Português Europeu uma língua oficial da UE, não noto que tivéssesmos ganho alguma coisa. Os PALOPS e Timor? Coitados, têm mais que fazer! Então, resta o Brasil. E a resposta é clara: quem ganha é o Brasil. Este acordo que vai instruir uma ortografia única vai permitir ao Brasil meio caminho andado para a propagação da sua indústria editorial no mundo e o seu ambicioso lugar no Conselho de Segurança da ONU. E isto à custa de todos os outros países, mas sobretudo, Portugal. Este acordo é a sentença de morte do controlo que o país tem sobre a língua. Quando entrar em vigor, Portugal já não terá a sua particularidade e a sua variedade presente na língua dando assim ao Brasil total acção sobre a língua. Não nos esqueçamos que o Acordo seria inviável se Portugal não aderisse. Ao ler essa frase ainda pensei que pudéssemos ter controlo mas com os nossos governantes, estou completamente enganado e desiludido.
Agora, vejamos o campo linguístico. Diz o acordo que são abolidas as consoantes c e p em palavras onde essas letras são irremediavelmente (mentira!) mudas. Ora, sejamos francos e honestos, pode-se traduzir da seguinte maneira: agora, os portugueses vão escrever segundo a ortografia brasileira. Ponto final. Parágrafo. Estão a querer impor uma ortografia que não é nada compatível com a fonética do Português Europeu. Tal como diz a filóloga Maria Alzira Seixo, este acordo vai acabar com a função essencial destas consoantes que é abrir a vogal precedente. Como todos sabemos, o português europeu tende para a consonantização e o c e o p são essenciais como em electricidade e electromagnestismo. Eu não digo ele•tromagnetismo porque o c é semi-articulado. Eu não digo adução para a palavra adopção mas sim a - dó - ção. Escrever adoção é escrever na mesma lógica que adoçante. Que semelhança! Vejam quão estúpida é esta regra. Outro facto é Egipto. Poucos são aqueles que pronunciam o p. Mas ao dizer egípcio, eu digo o p. Então porque raio hà-de se tirar o p em Egipto? Só porque não é pronunciado? Isto é uma regra estúpida!
Tenham calma porque ainda existe mais estupidez para se constatar. Diz o incrível Acordo que são retiradas os acentos diferenciais como em pára, pêlo e jóia. Em pára passa a para. Hmm, imaginem então esta frase: Para para olhar, escutar e ouvir. Não ficaria melhor o acento? Claro que depois, o contexto entraria mas nos primeiros segundos é notória a falta de qualquer coisa. Para jóia, esta regra do Acordo vai entrar em conflito com a seguinte regra gramatical: o + i = oi e diz-se oi como em foi. Quando os miúdos irão aprender que o+i é oi não tardarão a entrar em confusão ao lerem joia ou até Troia. Mas que Cavalo de Tróia!. Por fim, e com os pêlos bem eriçados, iremos deparar-nos com esta situação: Pelos pelos passam inúmero substâncias. Enfim, sem comentários. Ainda para acabar com este parágrafo, também são retirados os acentos em vêem e lêem. Conclusão, os defensores dizem que serão simplificadas as regras na acentuação. Eu digo é que uma facilitação. Por favor não no mentem tão descaradamente! Nota-se logo que a razão é o facilitismo e, coincidência ou não, no Brasil, os jovens praticamente deixaram de utilizar a acentuação e além do mais, a versão brasileira do Português tem tantos acentos que estas regras vêm como uma lofada de ar fresco. Lá serão eliminados os acentos em palavras como idéia, platéia, abençôo e enjôo. Enfim, as razões estão bem à vista: responder aos interesses do Brasil de modo a facilitar e a remediar uma regra (a regra da acentuação, claro) que praticamente já não é usada pelos jovens. E mesmo a diérese (trema) é eliminada em palavras como tranqüilo que já não é usada no jornal Folha de São Paulo. Neste parágrafo o que há é uma injustiça.
Deixando o campo da acentuação, vejamos o seguinte: o Acordo propõe a eleminação do hífen em palavras como essas: “contra-regra” e “extra-escolar”. Razões linguísticas e científicas para essas alterações?: zero. Retira-se o hífen em casos como hão-de e há-de. Mais uma vez, razões linguísticas: zero. Coincidência ou não, mais uma vez, no Brasil, as últimas duas palavras não levem hifen. O que eu quero dizer é que essas regras que inventaram sobre o hífen é apenas uma fachada ou, se quiserem, uma atenuante porque aquilo que o Acordo realmente quer é abolir o c e o p do português de cá.
Como se pode ver, os meus argumentos são linguísticos e científicos. Não me baseio em sencionalismos e em mentiras. Se querem o Portguês bem projectado, então invistam no idioma, numa melhor educação tanto aqui como nos outros países. Como é que uma língua dita internacional pode ter uma norma única se aceita duplas’ ou triplas grafias? A língua vai cair no ridículo pois será a única que permite essas parvoíces! De todas as maneiras, sobre a votação no parlmento, devo dizer que faltou ouvir as pessoas certas como escritores, filólogos ou linguístas. De todos os deputados que votaram a favor, será que a maioria leu o texto? Duvido porque os deputados são para a política e não para a linguística. Não é um decreto-lei que me vai obrigar a escrever segundo uma norma que eu não aceito. Mas ficarei desiludido quando o nosso património desaparecer da língua só por causa de caprichos geo-políticos (Maldita hora em que apareceu a CPLP!). A língua é do povo! Clamamos nós em escrever “Acção” ao invés de “ação”? Não! Então para quê aquela treta? Um acordo cheio de erros, de ambiguidades, de parvoíces e de estupidez! Malaca Casteleiro, devias ter vergonha de ser Português! Agora faço esta pergunta: Algum daqueles políticos e acordistas perguntaram à parte mais importante que é o povo? Envergonhai-vos vós destas patetices!
Comentário de Miguel Sousa Tavares que escreveu para o Expresso e que completa a minha opinião:
(…): quando não têm mais nada com que se entreter para exibir a sua importância, os senhores da Academia das Ciências e os ministros dos Estrangeiros gostam de nos ameaçar com o acordo ortográfico, cujo objectivo único é por-nos a escrever como os brasileiros, assim lhes facilitando a sua penetração e influência nos países de expressão portuguesa. Como disse Vasco Graça Moura, o acordo é um “diktat” neo-colonial, em que o mais forte (o Brasil) determina a sua vontade ao mais fraco (Portugal). Alguém imagina os Estados Unidos a ditarem à Inglaterra as regras ortográficas da língua inglesa? Ou o Canadá a ditar as do francês à França ou a Venezuela as do espanhol a Espanha?
Dizem que isto vai facilitar a penetração da literatura portuguesa no Brasil, mas ninguém perguntou a opinião aos autores portugueses. Há quatro anos atrás, publiquei um livro no Brasil e, contra a opinião de alguns ’sábios’ e as várias insistências da editora brasileira, o livro reza assim na ficha técnica: “A pedido do autor, foi mantida a grafia da edição original portuguesa”. Apesar dos agoiros de desastre que essa teimosia minha implicaria, o livro vendeu até hoje cerca de 50.000 exemplares no Brasil. Perdoem-me a imodéstia, mas orgulho-me de ter feito bem mais pela nossa língua no Brasil do que todos esses que se dispõem a vendê-la como coisa velha e descartável.
Pensem nisso. Apelo à desobediência civil! Porque a língua não pode ser alterada por um decreto. Enfim, são democracias como essas que permitem estas ditaduras!
17 de maio de 2008 às 19:44
Ups no ultimo paragrafo queria dizer “ação ao invés de “acção”. Desculpem mas estava muito irritado com este assunto. Já agora, assinem esta petição: http://www.ipetitions.com/petition/manifestolinguaportuguesa/
200 deputados podem ter votado a favor. Mas já são mais de 36 mil os que estão contra!
17 de maio de 2008 às 20:10
Deixem-me rir!! O Miguel Sousa tavares vendeu 50 mil cópias no Brasil com o Portugues de Portugal. Então mais uma prova que o acordo é necessário, porque nem toda a gente tem o poder do Miguel. Os outros , coitados, são todos traduzidos. Com o acordo todos terão os mesmos direitos do Miguel…Quanto à petição!!!!! Até eu já conheço esse endereço de cor. Nunca houve tanta publicidade a essa petição nos jornais e na net. E toda a gente sabe que petiçoes na net pouco valem…além disso o acordo já está aprovado e eu como apoiante exigo que ele seja aplicado…em nome do direito.
17 de maio de 2008 às 20:15
Em nome do direito? Favor explicar.
17 de maio de 2008 às 20:16
Dizem que o Povo nao foi consultado? E os acordos internacionais nao são para cumprir? E a grande reforma de 1911? Como foi? Então mudaram-na sem autorização de ninguem…nem consultaram as colónias ou ex-colónias!!??. Porque mudaram pae para pai?; e sciencia para ciência? enfim…
17 de maio de 2008 às 20:18
Em nome do Direito, porque a partir de agora estejamos de acordo ou não com este Acordo, temos enquanto Estado asumir as responsabilidades. O Brasil terá que fazer o mesmo. Senão seria o Fim da CPLP.
17 de maio de 2008 às 20:23
Desculpe mas as alterações que vêm aí não têm qualquer lógica. Daí é que se deve perguntar ao povo. E dos tratados internacionais, nem todos são a favor. A língua é do povo e não dos meros decretos. Quando foi a alteração em 1911, era necessária a reforma. Agora, esta reforma é desnecessario e completamente injusta ao contrária da de 1911.
17 de maio de 2008 às 20:25
Mas que raio vale a CPLP? Eu sou cidadão livre e enquanto cidadão eu escrevo como quero. ´Não é um tratado que me vai obrigar. Enfim, como disse antes: são estas democracias que permitem estas ditaduras.
17 de maio de 2008 às 20:27
Que fique claro que eu, enquando simples cidadão, nao estaria de acordo com a reforma de 1911, porque continha erros e foi feito à revelia do Brasil. Eu sou a favor das diferenças, mas sem Acordo as diferenças são extremamente exageradas, coisa que nao acontece no inglês. Eu por mim continuaria a escrever “Óptimo”, mas entendo que deve fazer um muito pequeno sacrifício. Alguém me explica por que mudamos victória para vitória e não mudamos o “actual” para atual?
17 de maio de 2008 às 20:36
Meu caro Joel Reis,
Não tem mal nenhum cada um de nós escrever como quiser… mas em termos oficiais tem de haver regras (boas ou más) senão eu como nortenho, poderia (enquanto aluno, por exemplo) escrever “binho” e nao “vinho”. As diferenças continuarão, mas será bom que sejam atenuadas, porque senão qualquer dia os brasileiros deixam de falar português…e já agora sem o minímo de regras estamos sujeitos um dia destes falarmos espanhol
17 de maio de 2008 às 21:09
É assim, eu já disse mais ou menos tudo acima. Apenas queria acrescentar que eu não sou contra um acordo. mas obrigar-nos a escrever de uma maneira diferente só porque noutro país escreve escreve-se efectivamente diferente. Desculpem mas isso não é uma razão linguística.
17 de maio de 2008 às 21:40
Entendo que os portugueses contrários ao acordo estejam revoltados com a decisão do Estado português de adotá-lo. Escrevam na ortografia que desejarem, mas manerem o linguajar, ok?
17 de maio de 2008 às 22:08
Caro Joel Teixeira dos Reis,
Não concordo nenhum pouco contigo. Acho que o senhor é um exagerado ainda mais pedindo a desobediência nacional em Portugal. Ao invés de ficar reclamando e escrevendo um monte de coisa quem em minha humilde opinião alguns tópico chegam a ser asneiras, porque o senhor não dá opiniões mais construtivas a respeito do acordo?
Para mim, isso o que o senhor disse, é que os brasileiros estão querendo prevalecer contra os portugueses. Isso é mentira!
Ao escrever coisas sobre o Brasil, por favor, primeiro pesquise melhor suas fontes, pois por aqui, os jovens utilizam sim a acentuação gráfica normalmente, inclusive com repetência nas escolas na matéria de Lingua Portuguesa.
Isso é um acordo totalmente válido e não é por menos que vossos governantes aceitaram, pois viram que é interessante para os oito países de lingua portuguesa.
Se eu quiser ser insensata como o senhor está sendo, eu diria que hoje o português é do Brasil e não de Portugal. Dos mais de 240 milhões de falantes do idioma, 190 estão no Brasil, uns 20 milhões em Angola, uns 30 milhões em Moçambique, uns 10 milhões em Portugal, uns 500 mil em Cabo Verde e alguns milhares juntando Timor Leste, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe. (obs.: a população dos países foram arredondados de acordo com o que eu li em sítios relacionados aos respectivos países).
Sendo assim, podemos melhorar a minha opinião que o idioma Português é do mundo e não de Portugal, cujo o país tem apenas a quarta posição dos países falantes do idioma.
Dessa forma, podemos concluir que é muito importante para o mundo que haja um idioma português internacional, seja baseado na forma falada ou escrita no Brasil ou Portugal. Se foi adotado o português falado no Brasil, é pelo fato dele ser o mais falado, que por sua vez, é o mais ensinado atualmente no mundo. Pelo que eu li em alguns lugares, o português do Brasil já é o mais utilizado também no meio acadêmico e científico no mundo, passando há muito tempo o português de Portugal.
Acho que o senhor deveria olhar para o que está em sua volta e ver que os portugueses, brasileiros e os outros países ganharão muito com esse acordo.
Acho que está na hora de nós darmos as mãos e começar a trabalhar em conjunto. Acho que os portugueses tem muito a aprender com os brasileiros, assim como nós temos que aprender com Portugal e com os outros países falante do idioma de forma unida, pois não somos melhores do que os portugueses, assim como vcs não são melhores do que nós.
Novamente, olhe um pouco o que está em sua volta. Se quiser discutir história, comece vendo as coisas erradas que os portugueses fizeram nas colônias, pois hoje somos frutos do que vcs deixaram por aqui. Em outras palavras, vejo que muitos portugueses cospem no prato que comeram.
Esse acordo é uma união! É um intercâmbio cultural entre os países falantes do idioma, é uma forma de integração.
Analise melhor suas palavras.
Obrigada.
Lu.
17 de maio de 2008 às 22:11
Paulo,
O senhor é uma pessoa sensata. Eu por exemplo já estou estudando as mudanças e em meu sítio, estarei em breve utilizando o português internacional, o português moderno!
bjs
Lu
17 de maio de 2008 às 22:24
Luciana, a mim não me interessa se o Brasil tem 1 milhão ou 3 mil milhões de habitantes. A França tem menos habitantes que a população francófona do Canadá e mesmo assim associa-se sempre a língua francesa à França. Por isso, o número da população não é uma razão linguística. O que aconteceu no Brasil por causa de Portugal não é da minha responsabilidade. Mais uma razão que nada a tem a ver com a linguística. Aqui ninguém falou sobre quem é melhor.
Concluindo: o que escreveu nada tem a ver com a língua em si. Onde estão os argumentos científicos e linguísticos das pessoas que estão a favor? Agora não me venha com número de populações porque isso nada tem a ver o Acordo.
“Novamente, olhe um pouco o que está em sua volta. Se quiser discutir história, comece vendo as coisas erradas que os portugueses fizeram nas colônias, pois hoje somos frutos do que vcs deixaram por aqui. Em outras palavras, vejo que muitos portugueses cospem no prato que comeram.” Lamento, mas esta sua frase nada tem a ver com a língua. Por isso, é que digo que as pessoas que estõa a favor baseam-se no sencionalismo e não na racionlidade e na lógica.
Mais uma vez pergunto: “Como é que uma língua dita internacional pode ter uma norma única se aceita duplas ou triplas grafias?” E sobre o que disse acima não tiro nem ponho uma vírgula. Tenho dito.
17 de maio de 2008 às 22:31
Só uma coisa, as minhas fontes são os jornais brasileiros, o site da Globo e opiniões/crónicas de personalidades brasileiras. Por isso, tudo o que disse em cima tem fonte correcta.
Já agora, se realmente quer uma opinião de um profissional das línguas, aconselho-a a ler este texto: http://www.jrdias.com/jrd-acordo-nao.htm
17 de maio de 2008 às 22:35
Joel
“Agora, esta reforma é desnecessario e completamente injusta ao contrária da de 1911.”
Amigo, em 1911 houve uma reforma que foi feita à revelia do Brasil e considerando apenas as particularidades do Port.Port., aproximando vergonhosa e declaradamente o Português do Castelhano. Isso vc acha bem.
Agora, em 2008 é feita uma reforma em que todos os países que falam português estão de acordo, e que, de algum modo completa a reforma de 1911 no que respeita a eliminar as consoantes mudas, e agora vc não está de acordo.
E depois ainda há que se admire que nos chamem burros…
17 de maio de 2008 às 22:37
Sensacionalismo, Nós? Eu sei que não é nada comigo, mas vou ter de corrigi-lo. Todo o Canada tem 30 milhoes de habitantes. A França tem 60 milhoes. O fim dos c e p mudos está mais que explicado. A regra é simples: Se é mudo..desaparece. Essa história dos c e p mudos terem uma função é um mito. Vejamos: Retaguarda nao tem c e a vogal “e” é aberta. No entanto actriz é falado âtriz” ao contrário de actor onde a vogal é aberta.
17 de maio de 2008 às 22:42
Márcio:
“Acho que a lingua portuguesa teria muito menos que mudar se mudase-mos para espanhol!!”
(Vc, não se escreve mudase-mos, mas mudássemos)
Pois, sabe, é isso mesmo que muitos em Portugal querem, fazer de nós uma autonomia de Espanha. Com a reunião ortográfica com o Brasil este projeto político ficou mais longe. Ainda bem.
“A minha pátria é a Língua Portuguesa”, escreveu o nosso Pessoa. O mais possível de acordo com ele. Com este Acordo Portugal ficou maior. Existem em Portugal muitos tacanhos e quintaleiros que não se conformam com isto porque não conseguem ser grandes, nem na alma nem nos raciocínios.
17 de maio de 2008 às 22:46
“em que todos os países que falam português estão de acordo” se fosse a si, lia este texto: p=stories&op=view&fokey=ex.stories/303289
Retaguarda tem origem etimológica diferente de “recta”. Não ponha a fonética como causa absoluta para a ortografia.
17 de maio de 2008 às 22:49
Peço desculpa, http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/303289
Rodrigues, como justifica 36 mil pessoas que assinaram a petição contra o Acordo? O meu raciocínio que escrevi em cima ultrapassa em largo as vossas opiniões.
17 de maio de 2008 às 22:51
Até agora, ainda não vi ninguém a dar-me uma opinião com bases na linguística e na ciência da língua para justificar a introdução do Acordo em Portugal.
17 de maio de 2008 às 22:52
Caro Paulo
Li todos os seus comentários felicito-o
Entretanto, mais uma ‘listinha’ de palavras que têm uma vogal átona aberta sem precisarem de ser seguindas por uma consoante muda para as abrir (assinaladas com um acento grave)
Rèpública, rètorica, bèbé, òminia, òcaso, òcidente, òc