Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, março de 2008
Meu artigo anterior sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa continua sendo um campeão de audiência, mais ainda em 2008 do que quando foi escrito. Se naquela época aumentava o burburinho sobre o acordo, hoje as notícias recentes me fazem acreditar que, finalmente, o acordo será colocado em prática. [Atualização: em maio de 2008 o parlamento português aprovou o acordo.]
Há poucas semanas Rui Vilela avisou que o governo português tinha aprovado o Acordo Ortográfico de 1990, ou mais especificamente seu Segundo Protocolo Modificativo. Pesquisando um pouco mais, descobri que acordos internacionais precisam ser ratificados pelo Parlamento português. Por isso mesmo, a Assembléia da República [câmara dos deputados em Portugual] organizará uma conferência internacional e audição pública sobre o acordo ortográfico. Se a proposta do governo for aprovada no Parlamento, o acordo deverá ser adotado gradualmente ao longo de seis anos.
No dia seguinte à aprovação pelo governo português, o Diário Oficial da União (brasileiro) trouxe a determinação de que os livros do Programa Nacional do Livro Didático de 2010 deverão estar adequados ao Acordo Ortográfico. A matéria informa ainda que o processo de inscrição e entrega das obras será feito já nos próximos meses, de 26 de maio a 4 de junho.
No dia em que saiu aquela edição do Diário Oficial, o presidente de Portugal estava no Brasil para a comemoração do bicentenário da chegada da corte portuguesa ao Brasil. Aníbal Cavaco Silva pronunciou oficialmente que a aprovação do acordo foi uma forma simbólica de o Governo se associar às comemorações. Cícero Sandroni, presidente da Academia Brasileira de Letras, comemorou a aprovação portuguesa: Nós vamos ser uma língua escrita da mesma forma. Não importa a maneira como vamos pronunciar as palavras, mas a grafia será a mesma.
(Houve ainda uma interessante reunião entre os ministros da cultura brasileiro e português.)
Cavaco Silva esteve ainda esse ano em visita a Moçambique, cujo presidente também se pronunciou a favor do acordo. Em entrevista, Armando Guebuza anunciou que Moçambique está analisando o acordo ortográfico e, como é óbvio, um dia vai assiná-lo.
Em Macau, a maioria dos especialistas contactados pelo [jornal] Tai Chung Pou apenas observa, sem se envolver, a discussão sobre o acordo. Destaco a seguir alguns trechos da matéria desse jornal de Macau:
A RAEM é um território pequeno, onde o português não é o idioma de rua; contudo, aqui concentram-se todos os aspectos que estão no centro da controvérsia que se gerou à volta da uniformização da ortografia. Além de ter a língua de Camões como uma das línguas oficiais e ser um dos centros de ensino da língua na Ásia, Macau é elogiada como plataforma das relações entre a China e os países lusófonos. Diplomacia, comércio e cultura são os três sectores em que o acordo fará diferença, segundo os defensores do projecto que se arrasta há 14 anos.
Nas conversações entre os futuros parceiros até ao definitivo aperto de mão pode não existir qualquer dificuldade de comunicação, mas quando se chega à parte jurídica a situação complica-se. Tanto ao nível do comércio como das organizações inter-governamentais, a redacção dos documentos tem que ser feita em paralelo, nas normas de Portugal e do Brasil. “Não há necessidade e não faz sentido”, defendeu o director do Departamento de Português da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Alan Baxter.
Na semana seguinte à aprovação do acordo pelo governo português, a Texto Editores disponibilizou dois dicionários adequados ao Acordo Ortográfico de 1990, além de um guia explicando as alterações.
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29 de março de 2008 às 14:46
Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, março de 2008…
Brasil e Portugal avançam na adoção do Acordo Ortográfico. Em Portugal o governo já aprovou o acordo (falta a ratificação do parlamento), e no Brasil os livros didáticos deverão se adequar até 2010. Já saíram até dois dicionários!…
29 de março de 2008 às 14:49
[...] Leonardo via Rec6: Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, março de 2008… [...]
31 de março de 2008 às 18:55
Leonardo,
Dessa forma, para fins de concursos públicos, as modificações do Acordo Ortográfico ainda não estão em vigor?
Obrigado.
1 de abril de 2008 às 20:51
A proposta do Acordo Ortográfico (boa ou ruim) continua a mesma. Quando o acordo começar a valer mesmo, os documentos oficiais terão que se pautar nele, assim como aconteceu com as outras alterações da ortografia. Algumas décadas depois, as pessoas lerão documentos de hoje em dia e acharão graça do nosso jeito de escrever
8 de abril de 2008 às 22:36
A MEU VER, O FATO DE SE MODIFICAR O “FACTO”, DE NADA INTERFERE, BEM COMO SUA PRONÚNCIA NÃO IRÁ DECERTO, FERIR A ESSENCIA DA LINGUAGEM.
CONTRÁRIO SENSO, A LINGUAGEM É PROPRIEDADE DA HUMANIDADE E NÃO DE UM POVO ESPECÍFICO, UM PAÍS OU CONTINENTE.
SOU BRASILEIRA, FORMADORA DE OPINIÃO, UMA CURIOSA APENAS, E FICO IMAGIONANDO A SEQUÊNCIA INTERMINÁVEL DE BENEFÍCIOS AOS BRASILEIROS E PORTUGUESES, CONSIDERANDO TORNAR-SE PRÁTICO E EVIDENTE O RESPECTIVO ACORDO ORTOGRÁFICO.
NENHUM PREJUIZO IRÁ RESTAR AOS IRMÃOS PORTUGUESES A SER FRANCO.
DEVERIAM ESTES A BEM DA VERDADE, ANALISAR DIPLOMATICAMENTE O QUE SERIA DA LINGUA PORTUGUESA, SE NÓS, MAIS DE 200 MILHÕES DE BRASILEIROS ORGULHOSOS DE NOSSA ORIGEM E DE NOSSA ETINIA MISCIGENADA, NÃO FALÁSSEMOS O RESPECTIVO IDIONA, ESTE, FOSSE DEIXADO A SORTE APENAS PELOS 10 MILHÕES DE NOSSOS IRMÃOS LUSOS…
SERÁ QUE TERIA SOBREVIVIDO EM SUA INTEGRIDADE?
SERÁ QUE PODERÍAMOS POSSIBILITAR QUE ESTARIA “MORTA”?
QUANTAS LINGUAS SE EXTINGUE UNIVERSALMENTE FALANDO A TODO INSTANTE NO UNIVERSO?!?!
FINALMENTE:
10 MILHOES DE PALITOS DE FÓSFOROS ACESOS, PODERÃO PROVOCAR UM FOCO DE LUZ NO UNIVERSO, MAS 210 MILHÕES DELES, SEGURAMENTE PROVOCARÁ UMA LUZ INCANDECENTE E UNIVERSAL.
SOU PÉLA UNIÃO ENTRE OS POVOS.
PENSO NA UNIFICAÇÃO DE FORMA SIMPLES E DESCOMPLICADA
NÃO VEJO NENHUM ASPECTO PREJUDICIAL O FATO DO RESPECTIVO ACORDO SER COLOCADO EM PRÁTICA
VEJO APENAS BENEFÍCIOS, OS QUAIS PODERÃO SER DE TAMANHA PROPORÇÃO A LONGO PRAZO,
A GERAR AO CONTRÁRIO DE PERDAS DE QUALQUER LADO QUE SEJA, SIM A CONQUISTA DE NOVOS ESPAÇOS, NOVOS HORIZONTES, NOVAS BRAÇOS DE REFERÊNCIAS CULTURAIS, ETC…
10 de abril de 2008 às 13:22
de facto que assim seja que venha o acordo ortográfico…
se bem que existen nuances ou seja, a palavra FATO e FACTO são palavras destintas, e bem, em português de portugal, passo a exemplificar:
Esse FATO fica-te Bem (a palavra FATO aparece aqui como uma peça de vestuario);
É FACTO provado que ela praticou adulterio (e este FACTO (com C e este C é lido não é “mudo” e aqui este FACTO aparece como uma evidencia, prova, certeza…)
E não vamos esquecer tambem que o português do Brasil já esta muito “americanizado”
palavas como por exemplo “AIDS” em português SIDA ou USUARIO que deriva da palavra Inglesa USER, quando em português se escreve, e a meu ver bem, UTILIZADOR que é a pessoa que utiliza ou usa algo, a a palavra ESPORTE e TIME …deriva do quê!? SPORT? e TEAM? não deveria ser como em Portugal DESPORTO e EQUIPA… pois não sei mas axo que sim….
que venha o acordo mas que não venham os e”extranjeirismos” porque se é para piorar ficamos assim como estamos!
e não devemos esquecer que onde se fala português não é só em Portugal e no Brasil mas tambem em Angola, Moçambique, Guiné Bissau, Cabo verde, e ainda mais residualmente em Timor, Macaue até ainda muito mais residualmente India, portanto o português nunca sera deixado entregue só e meramente á nossa “sorte” a lingua portuguesa é muito mais que Portugal
11 de abril de 2008 às 16:12
No início era contra o Novo Acordo Ortográfico da língua portuguesa. Agora que Portugal assinou o Protocolo sou a favor, porque escrever uniformemente dá prestígio ao idioma falado por mais 230 milhões de pessoas que vivem em 8 países diferentes, sem contar Macau e Goa por onde andou Luís Vaz de Camões. Escrever de um modo uniforme não quer dizer falar de um modo uniforme. Mas estou com medo que o texto oficial do Acordo apresente exceções e mais exceções, como é o caso de António (em Portugal) e Antônio (no Brasil). E nos outros países como é que escreverão Antonio?
E tem mais! O Acordo foi redigido em 1990. Será este texto que vai entrar em vigor ou já houve modificações ou algumas variantes ainda são válidas. Olha, sou da opinião de Coldfire: se é pra complicar mais, é melhor assim como estamos. A quinta língua mais falada no mundo merece respeito e seriedade.
13 de abril de 2008 às 12:34
Antes de mais quero dizer que sou português e moro no Brasil, de qualquer forma só acho que independentemente de acordos ortográficos, acho que muito, muitíssimo mais grave é haver gente que fala de “eXtranjeirismos” deveria olhar para a a forma como escreve “axo”… é muita falta de bom senso… O ideal é falar e escrever sempre o correcto, conforme o país onde está. Estas novas palavras que começam a surgir na web é que deveriam ser banidas, e não propagadas, como vem acontecendo, por isso acho que o Sr. “coldfire”, deveria chamar-se fogofrio e deveria escrever “acho” de forma correcta, ou correta, como quiser!!!
15 de abril de 2008 às 16:28
Sou aluno de 12º ano sempre tive problemas em escrever correctamente muito embora tenha um gosto um pouco que aguçado por escrever à sorte da imaginação e factualidade. A única razão pela qual venho aqui expressar-me é que estou para ter uma discussão didáctica com o meu professor de português sobre o assunto, porque, muito embora eu descure muitas vezes a rigorosidade da escrita da minha linda e mal tratada língua não preciso de muito para identificar o português escrito segundo a norma europeia daquele que é escrito pela norma americana.
São muitos os casos em que as duas se afastam amplamente uma da outra, e, é de facto difícil aceitar este acordo muito porque após doze anos de estudo de um português, ter de reaprender a língua que sempre falei especialmente porque estou a beira de entrar numa universidade exigente, e primo pela excelência do trabalho, estar indeciso na maneira como devo redigir os meus trabalhos porque foi pensado que seria giro padronizar português é frustrante.
Compreendo as vantagens do acordo mas não entendo como é que lhe chamam “preservar cultura” e outras citações muito curiosas, quando o que se esta a fazer é extinguir “particularidades” que, essas sim, enriquecem a língua. Critico quem fala o Inglês mais vulgarmente que a sua língua por descurar da genuinidade que lhe está disponível e subitamente vejo-me a perguntar: “Será que ainda vou acabar a falar melhor essa língua forasteira? Esse Inglês que desvalorizo de tão vulgar mutilado.”
Garanto não é fácil para mim aceitar esse acordo ainda não consegui entender como isso será efectivamente benéfico para mim só porque me vejo numa situação caricata estive a estudar uma língua que verificando-se o acordo será muito distinta daquela que os meus filhos vão estudar, cada momento que perco a reflectir sobre o assunto encontro um contra e os prós são me impingidos por quem? Essa dos números não me encaixam afinal de contas 5 toneladas de carro não significam 5 toneladas de carro mais eficaz.
15 de abril de 2008 às 16:54
No entanto o que pretendo é informar-me mais e mais sobre o assunto porque como já demonstrei o tema assalta-me a tranquilidade ( sim sem o trema, note-se que eu tive conhecimento disto faz já dois anos mas ao falar com uma ex-professora minha de português, ela garantiu-me que era falso, ora isto eu condeno se não sabia deveria ter sido sincera e se não concordava deveria ter no mínimo exposto o seu pensamento, mas isto já são outros problemas da sociedade portuguesa, termino o parentes já demasiado longo ) pois espero ter sido coeso naquilo que vos tento transmitir e coloco uma questão.
Segundo pude averiguar este acordo terá repercussões absolutamente nulas nas gramáticas, esta informação é correcta?
Por outras palavras uma gramática adquirida hoje e aprovado/aplicado o acordo amanha continua igualmente actual?
15 de abril de 2008 às 21:52
Esse acordo é ortográfico; não altera nem a sintaxe, nem a fonética. Imagino que, por “grámática”, você se refira a “sintaxe”; é isso?
16 de abril de 2008 às 10:15
Sim, por outras palavras, a mecânica da língua permanece inalterada, correcto?
21 de abril de 2008 às 12:36
Isso mesmo, só a ortografia muda.
25 de abril de 2008 às 12:35
Eu fico estupefacto com os comentários de muitos portugueses ( sempre os mesmos) tentando lançar o pânico em Portugal e no Brasil; chegam ao cúmulo de dizerem que ( escrevemos com o pronunciamos), ora isso é ser intelectualmente desonesto. Eu SOU PORTUGUÊS e posso garantir e JURAR que palavras como baptismo, acto, correcto, adopção, óptimo, e outras centenas de palavras o “c” e o “p” sao mudos. E tentam enganar os portugueses ao dizer que palavras como “facto” e contacto” passarão obrigatoriamente a “fato” e contato” …… o que é falso, porque nesse caso ambas as variantes estarão certas. Mas há mais: Com o acordo Portugal fica a ganhar, porque os livros portugueses no Brasil não serão traduzidos e assim, os brasileiros aos poucos saberão o que significa “autocarro” e estaremos finalmente em pé de igualdade. Nós portugueses já conhecemos o portugues do Brasil… no futuro os brasileiros conheceram melhor a alma lusitana. Reparem que não há traduções de livros ou até no cinema entre os estados Unidos e o Reino Unido. Porquê? Porque a dupla grafia é aceite. Ora o Acordo também prevê a dupla grafia…
25 de abril de 2008 às 18:06
Aqui estou eu a fazer uma reflexão sobre a relação entre a China e os países de língua portuguesa para um seminário da Faculdade e sou conduzida involuntariamente a destrair-me um pouco com os incríveis comentários que aqui estão expostos. Sou brasileira e estudo em Portugal, é engraçado como o homem está sempre a preocupar-se com o que pode ser desvantajoso para si, muitas vezes ultrapassa o caminho da razão e confunde-se com a ilusão das paixões sociais. Há alguns meses atrás, quando iniciei meu curso de Antropologia em Lisboa, um professor comentava a diferença na escrita de determinadas palavras em Portugal e no Brasil e até perguntou-me se “Brasil” no Brasil escrevia-se com “s”. Um colega ao lado comentou:”Agora a Nayara aprenderá a escrever.” Com um sorriso no canto dos lábios olhei-o e disse: “Daqui há uns dias irás corrigir a tua maneira de escrever.”Não posso afirmar o que pode ser certo ou errado, justo ou injusto nesse acordo, não sou dona da verdade, mas existem coisas que podem ser mudadas sem alterar o resultado enquanto que na sociedade em que vivemos hoje o homem muda muitas outras de acordo com seu interesse imediato sem mesmo preocupar-se com as consequências que poderão cair em suas próprias cabeças. Correcto ou correto continuaremos sem saber realmente o seu conceito na essência da palavra, mas socialmente e culturalmente terá a mesma interpretação. Portanto, não nos preocupemos com o que é estático, mas com o que é mutável.
25 de abril de 2008 às 19:12
Se condeno de certa forma o aniquilar do trema no nosso português porque não haveria de condenar o desaparecimento do “c” de “facto” que sinceramente ajuda a diferenciar entre fato embora isso se entenda pelo contexto? Acho que esse acordo não é assim tão vantajoso, vejamos:
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-Maior concordância de termos, daí podemos admitir melhor partilha de ideias/imagens através da linguagem, logo, uma maior acessibilidade visto que mais pessoas se regulam pelos mesmo critérios.
-Menor necessidade de traduções.
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No entanto a diversidade também se trata de riqueza cultural e é pelas diferenças que nos identificamos, ora quando alguém lê algum documento escrito em português ” do brasil” identifica logo, geograficamente, a origem do texto,muitos dirão irrelevante, eu digo interessante. Tudo o que tenho feito transparecer aqui trata-se, obviamente, da minha subjectiva opinião, e não penso que deveis submeter-vos às mesmas, ou, por outras palavras, e pegando no que disse a Srª Nayara Barbosa ( peço desculpa se não for adequado o titulo), não penso estar inequivocamente certo, como já disse é a minha opinião.
29 de abril de 2008 às 07:09
Como disse o Marcio ( nome de Brasileiro???)
As diferenças são virtudes e não defeitos…… Vivo em Lisboa, brasileira, carioca e mestranda da Universidade de Lisboa. Não me importo em escrever em Português de Portugal, isso não muda nada, sei que o Portugues do Brasil tb é Portugues e não Brasileiro e é isso que os Portugueses deveriam entender e aceitar, não divulgar que no Brasil se fala um Português errado…. é isso que tronam as coisas mais difícies, que aceitem ambas as situações e não digam que êles é que falam correctamente, deveriam aceitar nas universidades o nosso “Idioma”, como aceitam o Françês , o Inglês….Como todos sabemos há duzentos anos o Brasil deixou de ser Português…..
Podemos perfeitamente falar um outro Portugûes e êste ser bem aceito….. pena que os Portugueses são resistentes às mudanças….
29 de abril de 2008 às 18:06
Isso de dizer que os Brasileiros falam português incorrectamente, também não concordo. Acredito que o português falado e escrito no Brasil é um genuíno derivado do português europeu e é por isso que defendo que se reconheças os dois como línguas independentes embora com bases comuns. Talvez me esteja a tornar repetitivo ou supérfluo nos meus comentários mas é que é o único lugar onde posso, de certa forma discutir o assunto.
30 de abril de 2008 às 05:12
Para o Digno ou Não (pena que não identificou-se)…..
Pode acreditar que o português falado e escrito no Brasil “é um genuíno derivado do português europeu”. O português falado no Norte do Brasil, em cidades do interior do Estado do Rio de Janeiro e nas “Minas Geraes” é, ainda hoje “puro”, aquele que nos foi ensinado desde a época da colonização, o qual, até mesmo em Portugal é difícil de ser identificado.
30 de abril de 2008 às 07:52
Não entendo o porquê de lhe incomodar o facto de não usar o meu nome próprio até porque isso nem estava em discussão, para além de que já referi muitos aspectos sobre mim nos meus comentários de forma que sabe mais sobre mim que eu sei sobre si. De qualquer forma, o que interessa aqui é discutir o assunto aqui exposto. Não consegui entender era onde queria chegar ao partilhar a informação de que em certas zonas do Brasil de fala um português arcaico ( só por ser mais antigo), qual ´´e a sua opinião acerca do assunto? Concorda? Se sim porquê? Não concorda? Porquê? Tem outra sugestão? Qual?
A mim não me interessa dizer generalizar e dizer os brasileiros é que deviam mandar na língua ou os portugueses é que deviam “mandar” na língua, para haver mudança nesta devia existir um motivo mais forte que a uniformização das línguas se não são genuinamente iguais; Se fosse porque os processos de evolução da língua assim o exigiam entende-se e seria até pedido que se fizesse. Mais uma vez não quero entrar numa guerra patética sobre quem manda na língua e quem tem mais direito sobre o quê, são derivadas não são iguais, ponto.
4 de maio de 2008 às 12:40
Concordo plenamente com o ‘Digno’ e a maioria dos brasileiros tbm não aceita com essa reforma ridícula. O português e o brasileiro são duas línguas totalmente diferentes e seria interessante contar com o apoio dos portugueses ao movimento pela separação dos idioma do Brasil. Movimento que tem o apoio da maioria absoluto dos lingüistas brasileiros.
Vejam o que eles dizem:
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“A lei da evolução, de Darwin, estabelece que duas populações de uma espécie, se isoladas geograficamente, separam-se em duas espécies. A regra vale para a Lingüística. “Está em gestação uma nova língua: o brasileiro”, afirma Ataliba de Castilho.
Há quem seja ainda mais assertivo. “Não tenho dúvida de que falamos brasileiro, e não português”, diz Kanavillil Rajagopalan, especialista em Política Lingüística da Unicamp. “Digo mais: as diferenças entre o português e o brasileiro são maiores do que as existentes entre o hindi, um idioma indiano, e o hurdu, falado no Paquistão, duas línguas aceitas como distintas.” Kanavillil nasceu na Índia e domina os dois idiomas.”
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“No meu modo de ver as coisas, já é possível considerar o português do Brasil como uma língua românica de status igual ao do francês, do italiano, do espanhol etc.[…] Nenhuma língua, enquanto tiver gente falando ela, pode resistir às mudanças que ocorrem em suas estruturas com o tempo. Assim, passados 500 anos, tanto a língua de cá quanto a língua de lá se modificaram, cada uma delas numa direção, exibindo diferenças nessas mudanças, fazendo opções diferentes, escolhas diferentes. E a tendência, como indica o desenho, é à diferenciação sempre maior com o decorrer do tempo.”
Marcos Bagno
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“O português e o ‘vernáculo’(a língua falada pelos brasileiros) são, é claro, línguas muito parecidas. Mas não são em absoluto idênticas. Ninguém nunca tentou fazer uma avaliação abrangente de suas diferenças; mas eu suspeito que são tão diferentes quanto o português e o espanhol, ou quanto o dinamarquês e o norueguês. Isto é, poderiam ser consideradas línguas distintas, se ambas fossem línguas de civilização e oficialmente reconhecidas.”
Mário Perini
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A nossa gramática não pode ser inteiramente a mesma dos portugueses. As diferenciações regionais reclamam estilo e método diversos. A verdade é que, corrigindo-nos, estamos de fato a mutilar idéias e sentimentos que nos são pessoais. Já não é a língua que apuramos, é o nosso espírito que sujeitamos a servilismo inexplicável. Falar diferentemente não é falar errado. A fisionomia dos filhos não é a aberração teratológica da fisionomia paterna. Na linguagem como na natureza, não há igualdades absolutas; não há, pois, expressões diferentes que não correspondam também a idéias ou a sentimentos diferentes. Trocar um vocábulo, uma inflexão nossa por outra de Coimbra é alterar o valor de ambos a preço de uniformidades artificiosas e enganadoras. (1921: 8-9)
(historiador e filólogo João Ribeiro)
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“É uma violência inútil ajeitar-se uma idéia a um molde inadequado que a comprime, que a machuca, que a deforma, somente porque esse molde assentava bem a essa idéia há 100 anos passados.É martírio para a mocidade que aprende e humilhação para o mestre inteligente que ensina, esse bilingüismo dentro de um só idioma – essa unidade exterior, de superfície, de duas línguas que se repelem, a língua que falamos e a língua que escrevemos. [...]Nós, no Brasil, presos à gramática “portuguesa”, somos vítimas de uma desintegração dolorosa de nós mesmos. [...]A língua brasileira, já ninguém discute isso, diverge da portuguesa;” Mário Marroquim
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Sabe aquela história de que falamos português? Pois bem, segundo o lingüista Nicolau Leite, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo aquilo não passa de nhenhenhém. Como nossa língua pode ser portuguesa se ela é formada por 30 000 vocábulos indígenas e mais de 3 000 palavras trazidas pelos escravos africanos do tronco banto? Nicolau Leite acha que nosso idioma é mesmo o brasileiro e que é absurdo tentar unificar as línguas com normatizações. O português, no fundo, foi só a casa de fundação da nossa língua, que recebeu e continua recebendo influências de todos os lados, afirma.
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“Assim como o Português saiu do Latim, pela corrupção popular desta língua, o Brasileiro esta saindo do Português. O processo formador é o mesmo: corrupção da língua mãe.” Monteiro Lobato
4 de maio de 2008 às 14:07
Ninguém aqui está em posição para falar pela maioria dos brasileiros, nem dos portugueses. Estamos falando de várias dezenas de milhões de pessoas, espalhadas em milhões de quilômetros quadrados, com milhares de quilômetros de distância. Quanto aos lingüistas, Juliana, meia dúzia de citações também não bastam.
A diferença entre o português de Portugual e o brasileiro nem chegam para que sejam considerados dialetos, que se dirá então de idiomas diferentes! Existem diferenças entre os países, sim, e não apenas entre Brasil e Portugal. Da mesma forma, existem diferenças dentro de um mesmo país, até mesmo dentro de Portugal, que é relativamente pequeno, que se dirá então do Brasil!
O falar muda a cada esquina; apenas a ortografia respeita fronteiras. O acordo ortográfico não vai unificar o nosso idioma, porque cada um fala de um jeito diferente; aliás, cada um fala de mais de um jeito, de acordo com a ocasião. Unificar a ortografia vai é amplicar a comunicação entre os países de língua portuguesa, de forma que as fronteiras políticas deixem de ser barreiras culturais. Distinguir entre o português do Porto e o de Recife fará tanto sentido quanto distinguir o de Manaus e o de Porto Alegre.
Vejo o tempo todo as pessoas discutindo quem ganhará com o acordo, se serão os portugueses ou os brasileiros. Isso é uma simplificação excessiva! Tanto brasileiros quanto portugueses sofrerão para adaptar-se. Tanto as editoras brasileiras quanto as portuguesas terão oportunidades e riscos aumentos. (E não, crise não significa oportunidade + perigo!)
5 de maio de 2008 às 20:39
Gostaria de saber se o novo acordo já encontra-se em vigor. Caso sim, desde quando. Caso não, quando será. Concordo que é necessário que a nossa língua seja unificada pelo menos na ortografia.
5 de maio de 2008 às 22:24
Se realmente estivesse valendo, você já teria percebido
Mas, como eu disse no artigo, os livros didáticos públicos de 2010 seguirão o acordo ortográfico.
18 de maio de 2008 às 19:32
[...] aprovou o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Esse movimento decisivo, combinado aos avanços do acordo nos últimos meses, indica que agora a questão não é se, mas sim quando e como o acordo será posto em prática. A [...]
8 de agosto de 2008 às 01:29
Eu também gostaria de saber se o novo acordo já está em vigor? Espero que Brasil e Portugal fiquem mais unidos ao longo do tempo. Afinal, somos descendentes uns dos outros (eu sei que alguns são descendentes de índios, de alemães…mas convenhamos, aqui no Brasil existem milhões de descendetes da “terrinha”).