Usando o pofilter para controle de qualidade das traduções

Há mais de um ano a equipe brasileira de tradução do GNOME usa o translate-toolkit, em especial a ferramenta pofilter, para verificar as traduções antes de enviá-las ao código-fonte. Nas últimas versões o pofilter se tornou capaz de escolher as verificações de acordo com o idioma, mas a língua portuguesa ainda não está aproveitando esse recurso. Para isso, convido todos os brasileiros tradutores de software livre a testar o pofilter em seus catálogos de mensagem, relatando quais verificações se mostraram úteis ou não. A partir desses relatos, elaborarei uma lista para nosso idioma (independentemente do projeto de tradução) e enviarei aos desenvolvedores.

O translate-toolkit é uma mão na roda para os tradutores. Ele é usado como base para o Pootle, um servidor de traduções via Web; pelo Open-Tran.eu, um serviço que descreve como um termo tem sido traduzido em vários projetos; e pelo Wordforge (ex-Pootling), um aplicativo de tradução compatível tanto com gettext quanto com XLIFF. Se você traduz software livre, ou desenvolve ferramentas de internacionalização e localização de software, recomendo dar uma olhada!

O pofilter é capaz de verificar dezenas de tipos de erro. Por uma questão de usabilidade, ele padronizou um conjunto de verificações para determinados projetos: “openoffice”, “mozilla”, “gnome”, “kde” e “wx” (de wxWidgets). Muitas das verificações são capazes de encontrar erros comuns, que o gettext deixa passar. Minhas favoritas são doublewords, endpunc, endwhitespace, startspace e xmltags.Por outro lado, o pofilter muitas vezes gera “falsos positivos”, ou seja, assinala erros onde não há. Para contornar isso, o usuário pode excluir algumas verificações através da linha de comando.

Essas são as verificações que evito ao conferir a tradução da interface do GNOME:

  • doublequoting: nossa equipe padronizou usar sempre “aspas duplas”, não ‘aspas simples’;
  • singlequoting: mesmo motivo;
  • doublespacing: algumas mensagens em inglês trazem espaços duplos após o ponto, mas na hora de traduzir o correto é só um espaço;
  • unchanged: na minha experiência, essa verificação só encontrou traduções boas;
  • isfuzzy: eu já verifico a existência de traduções aproximadas antes com o msgfmt;
  • untranslated: mesmo motivo.

E essas são as que evito quando estou conferindo a tradução da documentação do GNOME:

  • acronyms: na documentação os “acrônimos” são sempre termos legais em maiúsculas;
  • startcaps: a marcação XML pode estar presente no começo da mensagem traduzida mas não da original, ou vice-versa;
  • puncspacing: o mesmo que acima, mas em relação a pontos, vírgulas etc. próximos a marcação XML;
  • numbers: não me lembro mais :)
  • unchanged, doublespacing: ver acima.

Bem, essa é minha lista pessoal. Se você já usa, ou vai testar o pofilter, por favor comente as verificações que se mostraram úteis e as que devem ser excluídas da rotina!

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2 respostas para “Usando o pofilter para controle de qualidade das traduções”

  1. Leonardo via Rec6 disse:

    Usando o pofilter para controle de qualidade das traduções…

    O pofilter é uma ferramenta fantástica para verificação de catálogos de mensagem gettext, sendo usada há mais de um ano pela equipe brasileira de tradução do GNOME. Gostaria de ouvir relatos de outras equipes, para aprimorar sua utilidade para …

  2. Controle de qualidade nas traduções com o pofilter disse:

    [...] sobre nosso idioma, convido todos os tradutores brasileiros a testar essa ferramenta fabulosa e relatar a experiência. A partir dessas informações pretendo colaborar com os desenvolvedores do translate-toolkit (que [...]

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