Quando ainda tínhamos dúvida se um dia o acordo ortográfico da língua portuguesa de 1990 seria posto em prática, e as pessoas ainda se davam ao trabalho de discutir os prós e os contras do acordo, volta e meia alguém mencionava a unicidade da ortografia espanhola. Bem sei que o acordo ortográfico virou lei, e que vem sendo progressivamente adotado no Brasil, mas achei interessante trazer para vocês o que encontrei por aí sobre as reformas ortográficas recentes de alguns idiomas europeus: o espanhol, o francês, o alemão e o holandês.
A ortografia castelhana sofreu poucas transformações desde a sua padronização em 1854 pela Real Academia Espanhola. A língua em si não era submetida à legislação, mas a rainha Isabel II determinou que a ortografia fosse adotada nas escolas. Naquela época dois gramáticos hispano-americanos propunham uma simplificação da ortografia, e sua proposta chegou a ser adotada em vários países da América, mas depois foi gradualmente abandonada. Atualmente a Real Academia Espanhola faz parte da Associação de Academias da Língua Espanhola, e sua política lingüística pan-hispânica diz: Consideram-se, pois, plenamente legítimos os diferentes usos dos regionalismos lingüísticos, com a única condição de que estejam generalizados entre os falantes cultos de sua região e não suponham uma ruptura do sistema em seu conjunto, isso é, que não ponham em risco sua unidade.
A ortografia da língua francesa também foi pouco alterada ao longo dos séculos, apesar das tentativas de reformá-la para ser menos etimológica e mais fonética. Em 1990, por iniciativa do primeiro-ministro francês, o recém-criado (na França) Conselho Superior da Língua Francesa publicou um relatório propondo retificações à ortografia francesa, relatório esse que desde sua elaboração contava com o apoio da Academia Francesa e dos Conselhos Superiores da Língua Francesa dos outros países francófonos. Estima-se que essas retificações alterariam 2 mil palavras, quase 3% do total; a título de comparação, no Brasil o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa alterou apenas cerca de 0,5% das palavras. As retificações ortográficas deveriam ser implementadas a partir de 1991, mas os franceses são livres para usar a ortografia antiga, e a proposta não vingou. Desde 2004 intensificaram-se os esforços internacionais para ampliar a adoção da nova ortografia, que desde então já foi adotada por exemplo pelo Dicionário Larousse e pela agonizante Enciclopédia Encarta.
A língua alemã também passou recentemente por uma reforma ortográfica. Essa reforma foi fruto de um acordo internacional assinado em 1996, e logo se tornou obrigatória na administração pública e na educação, embora os cidadãos da Alemanha sejam livres para escrever como bem entenderem em sua vida privada. Em 2004, a maioria dos alemães e dos austríacos eram favoráveis a uma reversão da reforma ortográfica, e na Suíça cada jornal definia internamente a ortografia adotada.
A língua holandesa passou por três reformas ortográficas no século 19. A última dessas três reformas foi realizada em 1996 pela União da Língua Holandesa, e já se definiu na época que 10 anos depois haveria uma nova reforma ortográfica. A reforma de 2006, no entanto, foi mal recebida na Holanda e os editores de uma gramática chegaram a defender uma ortografia alternativa, com alguma adesão na mídia do país.
Fica claro, pelo levantamento acima, que reformas ortográficas não costumam ser bem recebidas. De fato, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 foi criado como um alternativa à proposta de 1986, que tinha sido rechaçada em todos os países lusófonos. Até agora a adoção do acordo de 1990 parece bem encaminhada: os livros escolares e os periódicos brasileiros aderiram prontamente. Além disso, os usuários brasileiros do Aspell parecem bastante favoráveis a uma troca imediata para a nova ortografia. Por outro lado, desconheço a proporção real dos brasileiros que se preocupam em seguir a nova ortografia, e em outros países ainda não se sabe quando a nova ortografia será adotada. Vamos ver no que isso dá.
reforma ela deve vir para facilitar, e não complicar, simplificar seria no meu ver melhor, e simples não quer dizer burro, já que muito gênios fazem o simples. o legal seria ter uma regra por exemplo, simples e prática para o uso de ‘s’, ‘ss’, ‘s’ (com som de z), ‘ç’, algo tipo, no ínicio da palavra é ‘s’, no meio da palavra, ‘ss’, no final (exceto o plural) e o sons de ‘z’ sempre com ‘z’. imagina só que divertido ficaria!
soco = soco
soluço = solusso
feliz = feliz
aposentado = apozentado
açoite = assoite
açougue = assougue
pensar = pensar
sósia = sózia
gasolina = gazolina
gás = gaz
atrás = atráz
francamente, não entendo os parâmetros usados para a reforma, e não pretendo me adaptar. idéia sem acento, não me parece uma “boa idéia”. como assim não existir mais o sinal de trema? a língua portuguesa é rica em regras que não são desnecessárias, pois temos uma escrita bastante fonética, quero dizer, sempre que lemos uma palavra temos certeza de como ela vai ser pronunciada – se soubermos as regras. isto não acontece no francês e muito menos no inglês, por exemplo. agora isso não mais se aplica, se leio lingüiça, qual o argumento lógico pra dizer que o esse “gui” não vai soar como o fonema /ghi/ ?
e me desculpem pelo uso excessivo de vírgulas no post anterior.
Pingback: Reforma ortográfica da Wikipédia | Leonardo Fontenelle
Gostei do texto, ele vai me ajudar muito na escola.
O artigo deixou de fora uma das mais importantes reformas ortográficas do século XX, a reforma ortográfica da língua grega moderna. Na verdade, foram várias reformas que levaram de uma ortografia tradicional, totalmente clássica, `a ortografia demótica atual. Depois que a Grécia se liberou do domínio turco, em 1821, realizou-se uma completa re-helenização do país, adotando-se a gramática , o vocabulário e a ortografia do grego clássico, num grande esforço arcaizante da língua nacional, a ponto de surgir uma forte diglossia, a lingua escrita kathareuousa era uma, e a lingua demótica, falada pelo povo iletrado, era outra. Em 1976, adotou-se o demótico como lingua nacional , falada e escrita, e finalmente em 1982 chegou-se à atual ortografia, sem os sinais diacríticos chamados espíritos e a adoção de um único acento.
Darcy, de fato a reforma ortográfica da Grécia é notória, e agradeço por você tê-la resumido aqui.
Não entendi nada!
Eu penso que a reforma ortografica do portugues foi muito boa pois unificou a lingua portuguesa no mundo. Assim como no portugues, também o alemãos deveria unificar a sua lingua. Nós temos muitas dificuldades na Alemanha por causa dos dialetos que são varios. Muitas pessoas falam uma coisa e escrevem outra e, as vezes escrevem o Hoch Deutsch como se fosse o seu dialeto regional. Temos que criar na Alemanha uma norma oficial e rigida para a escrita, pois se não for assim vira bagunça.
Reformas ortografica não costumam ser bem recebidas porque o povo gosta passar dificuldade com a escrita pois, se o povo notasse as dificuldades na escrita e, simplificasse seria bem melhor. Sou a favor das reformas ortograficas pelo seguinte:
- Unifica a lingua ( no caso do portugues)
- descomplica a lingua ( no caso do alemão)
- Tiram coisas desnecessárias que estamos escrevendo.
- Agilizam a divulgação da lingua.
A lingua é a maior identificação de um povo, visto que no mundo moderno ninguem sabe mais quem é quem.
Eu leio o alemão, español, portugues, galego, leonês (lingua espanhola), papiamento (Antilhas Holandesas), Ladino (Judeu espanol).
Tenho a Biblia em varias linguas. Acho o muito fascinante aprender linguas e dialetos. Só não entendo porque as pessoas complicam tanto as coisas.
Nossa lingua materna é a nossa identidade!!!
A ONG Alfabeto sem Amarras está divulgando suas propostas de simplificação das regras do idioma português. Goastaria que os leitores acessassem seu site:
http://www.alfabetosemamarras.org. Esse negócio de o X ter cinco pronúncias diferentes só pode ter sido criado por um lunático. Ou não? Vamos lutar para modernizar, minha gente…